Prédios libaneses inteiros vêm abaixo sob bombas israelenses | Foto: Omar Sanadiki/Reuters

Israel impôs aos residentes libaneses de 7 cidades no sul do Líbano que deixassem seus lares sob ameaça de início de bombardeio de suas casas.

O pretexto para mais esta agressão aos libaneses é o de que o exército israelense buscava atingir alvos da Resistência, o Hezbollah.

Localizadas ao norte do rio Litani, portanto ocupando mais território libanês, na maior ruptura, até aqui, do cessar-fogo acordado em 16 de abril.

Neste ataque de domingo — que inclusive tirou a vida de brasileiros (ver matéria divulgada no dia 27, nesta editoria) — os israelenses deixaram um rastro de destruição, com pilares de fumaça que podiam ser vistos do norte da fronteira com Israel.

Netanyahu, procurado por crimes de guerra e contra a humanidade pelo Tribunal Penal Internacional, disse em uma reunião de gabinete em Jerusalém contar com apoio dos norte-americanos para continuar sua chacina e estender sua ocupação.

Para isso projeta sobre a Resistência libanesa a limpeza étnica, que já deslocou palestinos e destruiu centenas de suas aldeias e bairros e agora atinge populações libanesas: “Deve-se entender que as violações do Hezbollah estão essencialmente desintegrando o cessar-fogo”, mentiu Netanyahu.

“Do nosso ponto de vista, o que nos obriga é a segurança de Israel, a segurança de nossos soldados, a segurança de nossas comunidades”, disse, ao esconder sua criminosa pretensão de ocupar, agora, o sul do Líbano: “Agimos rigorosamente de acordo com as regras que acordamos com os Estados Unidos, e também, a propósito, com o Líbano”.

Uma desfaçatez que se desmonta por suas próprias palavras, pois, desde quando, expulsar libaneses de suas cidades pode estar de acordo com o Líbano?

O Hezbollah rejeita as acusações do primeiro-ministro israelense e aponta que a culpa pelas violações reside em Israel, que viola constantemente o cessar-fogo, e que os ataques das forças do Hezbollah dentro do território libanês e no norte de Israel são “uma resposta legítima às persistentes violações do inimigo do cessar-fogo desde o primeiro dia do anúncio da trégua temporária”.

“O Hezbollah afirma clara e firmemente que as contínuas violações do cessar-fogo do inimigo e, acima de tudo sua contínua ocupação do território libanês e violações de sua soberania serão recebidas com uma resposta e uma resistência que está pronta para defender sua terra e povo”.

O Ministério da Saúde do Líbano comunicou que, mesmo com o cessar-fogo, Israel matou 14 pessoas e deixou 37 feridos nos ataques de domingo, incluindo duas crianças. Desde março deste ano, Israel massacrou mais de 2.500 libaneses, 177 crianças e 100 médicos. Mais de 1,2 milhão de libaneses, cerca de 22% da população do Líbano, estão deslocados, sem moradia, devido à hostil ocupação israelense.

Fonte: Papiro