Foto: Mandel Ngan/AFP

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), marcou para 14 de abril o depoimento do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) no âmbito da investigação que apura atuação do ex-parlamentar com autoridades e agentes políticos nos Estados Unidos contra o Brasil.

O foco é esclarecer se houve tentativa de influenciar decisões internas brasileiras por meio de coações externas. Especialmente em episódios relacionados à defesa de medidas econômicas como o tarifaço e a coação de ministros da Corte.

A propósito, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, participou no último sábado (28) da CPAC (Conferência de Ação Política Conservadora), realizada no estado do Texas, nos Estados Unidos.

Durante o evento, ele fez apelo para que a comunidade internacional pressione o processo eleitoral brasileiro e ainda ofereceu as terras raras aos EUA.

Em outras palavras, o autointitulado “patriota” esteve nos Estados Unidos atuando para oferecer o Brasil a interesses externos. A agenda internacional dele, longe de abrir canais diplomáticos, se orienta contra o país e as instituições nacionais. Trata-se, portanto, de postura de traição nacional.

O depoimento será por videoconferência.

No centro do caso está a suspeita de que Eduardo tenha buscado mobilizar interlocutores estrangeiros para constranger autoridades brasileiras, inclusive integrantes do STF, em meio às disputas políticas e institucionais no país.

A linha investigativa considera que a atuação pode ultrapassar o campo da articulação política legítima e ingressar na esfera de ilícitos, como coação no curso do processo e tentativa de interferência indevida no funcionamento de instituições brasileiras.

Parte das apurações envolve a defesa, por Eduardo, de medidas comerciais mais duras — o chamado “tarifaço” — como instrumento de pressão econômica e política. Investigadores buscam entender se essa agenda foi articulada em diálogo com agentes estrangeiros de forma a impactar decisões internas no Brasil.

O ponto sensível é o uso de canais internacionais para influenciar políticas domésticas, o que pode configurar desvio de finalidade e afronta à soberania nacional e institucional.

Fonte: Página 8