Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva empossou, nesta terça-feira (14), o novo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães. Ele assume a secretaria no lugar de Gleisi Hoffmann, que sai para disputar o Senado pelo Paraná. Guimarães, por sua vez, abriu mão de se candidatar à mesma Casa pelo Ceará para compor o governo.

A cerimônia contou com representantes do Poder Executivo — além de Lula, ministros e governadores —, os presidentes do Congresso e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), entre outras autoridades e parlamentares. Embora presente, Lula não fez pronunciamento.

Nascido em 1957 na cidade de Quixeramobim (CE), Guimarães é vice-presidente nacional do PT, do qual faz parte desde a fundação. Consolidou sua carreira política inicialmente no Ceará, onde foi deputado estadual. Ingressou na Câmara dos Deputados em 2007 e, antes de assumir a pasta, exercia seu quinto mandato, bem como a liderança do governo Lula.

“Nesse pouco tempo que terei à frente da Secretaria de Relações Institucionais, quero ajudar a consolidar a ideia de que no próximo período — eu não tenho dúvidas —, vossa excelência vai ganhar a eleição e teremos mais um governo da soberania e da democracia”, disse, dirigindo-se a Lula.

O novo ministro ressaltou não haver “governo que dê certo se não tiver diálogo com o Congresso Nacional” porque o parlamento “faz parte da democracia do Brasil. Quero ser um instrumento dessa construção política”.

Além disso, pontuou que “podemos ter divergências numa ou noutra coisa, mas tem algo que une a todos que estão aqui: a defesa da democracia, da soberania, do Brasil”.

Por fim, falando diretamente a Alcolumbre e Motta, afirmou: “vocês podem nos ajudar, muito, a construir as bases para derrotarmos a ultradireita, o fascismo e construirmos, cada vez mais, a democracia no Brasil”.

Após apresentar um balanço de sua gestão à frente da pasta ao longo de um ano, Gleisi Hoffmann salientou: “É dever dos poderes defender e fortalecer a ainda frágil democracia deste país. Recentemente, essa democracia foi ameaçada por uma tentativa de golpe. É nosso dever não permitir retrocessos na democracia do nosso país”.

Interlocução

Na contramão dos atritos que marcaram parte da relação do Congresso com o Executivo, as falas dos presidente da Câmara e do Senado procuraram demarcar disposição ao diálogo e destacar conquistas obtidas pela interlocução entre os poderes.

Hugo Motta reconheceu o papel exercido pela ex-ministra e disse que, “apesar dos momentos de divergência, tivemos muito mais convergências em favor do país. Muitas matérias importantes foram aprovadas e muitas entregas foram feitas”.

Ao falar sobre José Guimarães, acentuou que o ex-deputado é “muito respeitado na Câmara” e que “sempre se portou com máxima correção em defesa do projeto político que defende e, mesmo quando teve de divergir, o fez com muita habilidade e respeito à Casa”. Motta ainda destacou que o novo ministro construiu boa relação “até com aqueles que fazem oposição ao governo”.

O presidente do Congresso e do Senado, Davi Alcolumbre, também elogiou a condução do cargo por Gleisi e disse que “somente através do diálogo, da boa política e da construção podemos efetivamente mudar a vida das pessoas”.

Alcolumbre falou de propostas do governo aprovadas pelo Congresso e pontuou que “muitas das vezes” o embate ideológico “contaminou o debate”.

Disse, ainda, que “estamos vivendo uma agressão permanente às instituições republicanas, sejam do Executivo, do Legislativo ou do Judiciário; está todo mundo passando dos limites institucionais que norteiam as relações republicanas”. Segundo Alcolumbre, “ofender, subjugar, agredir e atacar não vai construir o Brasil que os brasileiros precisam e esperam dos poderes”.