“A chuva radioativa afetará as capitais do Golfo, não Teerã”, alerta Irã após ataque a Bushehr
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, fez uma severa advertência neste sábado (4) após um novo ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra a usina nuclear iraniana de Bushehr, que é operada com assistência da Rosatom, a estatal russa da energia gerada a reatores. O ataque deixou um morto.
“A chuva radioativa acabará com a vida nas capitais do Conselho de Cooperação do Golfo, não em Teerã”, alertou Araghchi.
Bushehr, construída sob assistência russa e atualmente sendo ampliada, fica no litoral do Golfo Pérsico enquanto Teerã está no norte do Irã, na base da cordilheira dos Montes Elbruz. Fica mais próxima da capital do Kuwait e de Doha do que da capital iraniana, a mais de 750 quilômetros de distância.
São membros do Conselho de Cooperação do Golfo Bahrein, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes, países que abrigam instalações americanas e sofreram ataques de retaliação desde o início da agressão americano-israelense contra o Irã.
Um projétil atingiu perto do perímetro da instalação, causando a morte de um segurança, segundo a mídia iraniana. Além disso, um dos edifícios auxiliares da usina foi danificado pela onda de choque e pelos estilhaços do impacto.
As avaliações preliminares indicam que as seções principais da usina não foram afetadas e que as operações continuam sem interrupção. Trata-se do quarto ataque à instalação desde o início da agressão dos EUA e de Israel ao Irã.
A Rússia condenou esse ataque dos EUA-Israel à usina nuclear iraniana em Bushehr, que abriga funcionários russos.
“Condenamos fortemente esse ato maligno, que resultou em perda de vidas”, disse a porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova.
“Os ataques a instalações nucleares iranianas, incluindo a usina nuclear de Bushehr, devem cessar imediatamente”, acrescentou.
A Rússia anunciou, ainda, que 198 funcionários da estatal nuclear Rosatom começaram a ser evacuados da usina “aproximadamente 20 minutos após” o ataque.
Por sua vez, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) expressou neste sábado sua “profunda preocupação” com o incidente — embora sem manifestar qualquer referência aos agressores, EUA e Israel.
Pelas redes sociais, a AIEA informou que o governo iraniano havia notificado a agência sobre o “incidente” e que o chefe da agência, Rafael Grossi, estava ciente da situação.
“Grossi expressou sua profunda preocupação com o incidente relatado e afirmou que usinas nucleares ou áreas adjacentes nunca devem ser atacadas, ressaltando que os edifícios auxiliares das instalações podem conter equipamentos de segurança vitais”, indica o comunicado.
Atacar uma instalação de energia nuclear civil viola inteiramente o Tratado de Não-Proliferação e, conforme já advertiu o chanceler russo Sergey Lavrov, ameaçando esvaziá-lo de qualquer significado e arriscando a desencadear a proliferação de armas nucleares.
A guerra de agressão dos EUA-Israel ao Irã é, por si só, a perpetuação do que o Tribunal de Nuremberg que julgou os altos chefes nazistas, considerou “o crime que condensa todos os outros crimes de guerra”, o desencadeamento de uma guerra de agressão e contra a paz.
Crime ainda mais hediondo ao ser — e pela segunda vez em menos de um ano – cometido em traição a negociações entre Washington e Teerã em Genebra, agravado pelo assassinato do líder supremo da revolução iraniana, o aiatolá Ali Khamenei, a que se acresce a bárbara chacina, com três mísseis Tomahawks, de uma modesta escola primária, matando mais de 170 meninas.
A pretendida decapitação, para instauração de um regime servil que devolvesse o petróleo iraniano ao Big Oil norte-americano e para que parasse de apoiar a luta palestina contra a ocupação sionista e o genocídio, fracassou rotundamente, como até o The New York Times registrou.
“Ninguém esperava tal reação do Irã”, dizem os surpresos carniceiros, que acreditaram em suas próprias fake news, repetindo o que havia ocorrido no Iraque e, antes, no Vietnã e na Coreia.
Em resposta, o Irã elegeu novo líder supremo ao filho de Khamenei, Mojtaba, fechou o estreito de Ormuz aos barcos ligados aos EUA e a Israel e lançou onda atrás de mísseis balísticos e drones contra Israel e bases americanas incrustadas nos países do Golfo.
Represália que foi estendida às instalações petrolíferas e produtivas vinculadas aos Estados Unidos na região, após ataque da coalizão do mal a instalações civis iranianas. Por Ormuz, passam 20% de todo o petróleo e gás comercializados no mundo, bem como fertilizantes, imprescindíveis quando o plantio de primavera tem de ser feito no hemisfério norte, e gás hélio, 30% do qual provém do Golfo e é fundamental na produção de chips.
Fonte: Papiro


