Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

A responsabilização pelos atos golpistas de 8 de janeiro ganhou novo marco com a condenação de 3 empresários de Santa Catarina a 14 anos de prisão pelo financiamento de ônibus que levou manifestantes a Brasília.

A decisão foi tomada pela Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Os condenados — Rene Afonso Mahnke e Alcides Hahn, de Corupá, e Vilamir Valmor Romanoski, de Brusque — foram considerados culpados por viabilizar logisticamente a ida de grupo ao epicentro dos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília.

A Corte fixou pena de 12 anos e 6 meses de reclusão, somada a 1 ano e 6 meses de detenção, em regime inicial fechado, além de multa.

O caso gira em torno de veículo que partiu de Blumenau no dia 5 de janeiro de 2023, transportando 41 pessoas rumo à capital federal, 3 dias antes das invasões às sedes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Segundo as investigações da Polícia Federal, ao menos um dos passageiros participou diretamente da depredação dos prédios públicos. Para o STF, o financiamento da viagem integrou a cadeia de apoio material decisiva para a concretização dos atos.

Os valores repassados variaram: de contribuições menores, como R$ 500, até transferências superiores a R$ 10 mil, incluindo arrecadação de terceiros; elemento que pesou na avaliação do grau de envolvimento.

Os empresários foram condenados por um conjunto de crimes que reflete a estratégia do STF de enquadrar os atos de 8 de janeiro como ofensiva organizada contra o Estado Democrático de Direito. Entre os crimes estão: tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito; golpe de Estado; associação criminosa armada; dano qualificado; e deterioração de patrimônio tombado.

A decisão reforça a interpretação de que não apenas os executores diretos, mas também financiadores e apoiadores logísticos integram a engrenagem delitiva, golpista.

Além das penas de prisão, os condenados foram incluídos na obrigação solidária de pagamento de R$ 30 milhões por danos morais coletivos.

O valor será dividido entre os diversos réus já condenados pelos atos e destinado a fundos públicos.

A medida tem caráter simbólico e reparatório, buscando responder ao impacto institucional e material causado pela invasão e destruição de prédios públicos.

As defesas dos empresários negam envolvimento direto nos atos e sustentam que as contribuições financeiras não comprovam a adesão a qualquer plano golpista. É a praxe.

Em alguns casos, os advogados alegam que os valores foram pontuais e sem conhecimento de finalidade ilícita.

No caso de Romanoski, a defesa afirma que houve apenas intermediação de recursos arrecadados entre terceiros, e já anunciou que recorrerá da decisão.

Fonte: Página 8