Centenas de milhares se reuniram em Saint Paul, Minnesota, um dos focos da resistência ao ICE trumpista | Foto: Kerem Yucel/AFP

Milhões de americanos voltaram às ruas neste sábado (28) em todos os 50 estados do país em manifestações sem precedentes contra o autoritarismo de Trump e sua guerra contra o Irã. Esta é ,a terceira mobilização nacional em menos de um ano convocada sob o lema “No Kings”(“Sem Reis”), que se consolidou como o principal movimento de contestação desde o retorno do republicano à Casa Branca.

Segundo os organizadores, mais de 3.100 eventos foram registrados nos 50 estados e estima-se participação superior a 9 milhões de pessoas.

Desta vez, o descontentamento é impulsionado por uma guinada de ameaças de caráter fascista e, especialmente, pelo envolvimento militar dos EUA em uma guerra no Irã, travada em conjunto com Israel, sob objetivos e prazos frequentemente alterados pela Casa Branca.

As mobilizações espalham-se por metrópoles como Washington, Boston e Atlanta. Nesta última, o veterano militar Marc McCaughey, de 36 anos, resumiu o sentimento dos presentes à agência AFP, afirmando que nenhum país pode ser governado sem o consentimento popular e que a Constituição encontra-se sob grave ameaça. O clima de urgência levou manifestantes a enfrentarem temperaturas negativas em West Bloomfield, no Michigan, enquanto na capital federal a multidão cruzou o rio Potomac em direção ao Lincoln Memorial, local emblemático das lutas históricas por direitos civis.

O evento central, ocorrido em Saint Paul, Minnesota, próximo a Minneapolis, teve as presenças de figuras políticas e culturais como o senador Bernie Sanders, além da cantora Joan Baez, da atriz Jane Fonda, além de outras lideranças, como a cantora Maggie  Rogers, lideranças sindicais e autoridades eleitas.

Também aconteceu Saint Paul uma apresentação de Bruce Springsteen, que interpretou “Streets of Minneapolis” (Ruas de Minneapolis), música escrita em resposta às mortes de Renee Good e Alex Pretti e em homenagem aos milhares de moradores do estado que participaram de protestos durante o inverno. A turnê “Land of Hope & Dreams American Tour”, do músico, que também adota o tema “No Kings”, tem início previsto para a próxima terça-feira em Minneapolis.

A polarização política americana permanece nítida. Se de um lado os apoiadores do movimento MAGA mantêm a veneração ao presidente, do outro, os críticos denunciam o uso de decretos, a instrumentalização do Departamento de Justiça contra opositores, o negacionismo climático e o desmonte de programas de diversidade. Naveed Shah, da associação de veteranos Common Defense, acusou a administração de arrastar o país para conflitos externos enquanto militariza a segurança interna, vitimando cidadãos e comunidades imigrantes.

A onda de protestos ecoou com força na Europa, com atos registrados em Madri, Amsterdã e Roma. Na capital italiana, cerca de 20 mil pessoas marcharam sob vigilância policial, entre elas a pesquisadora Andrea Nossa, de 29 anos, que reforçou a rejeição a um modelo de governança “de cima para baixo”.

O objetivo declarado é ampliar ainda mais a escala das mobilizações anteriores, após a onda de protestos, em junho de 2025, ter reunido vários milhões de pessoas, e a segunda, em outubro, ter atraído cerca de sete milhões de participantes, segundo estimativas do próprio movimento.

Estatisticamente, o movimento “No Kings” apresenta uma trajetória de crescimento: a primeira edição, em junho de 2025, reuniu milhões de pessoas em todo o país no dia do aniversário de 79 anos de Trump e durante um desfile militar em Washington. O número que saltou para cerca de sete milhões em outubro. Para este sábado, os organizadores registram um recorde de participação, sustentado pelo baixo índice de aprovação de Trump — atualmente em torno de 40% — e pela proximidade das eleições de meio de mandato em novembro, que ameaçam a maioria republicana no Congresso.

Fonte: Papiro