Lula anuncia Haddad ao governo de SP com presença de ministros e dirigentes partidários. Ricardo Stuckert

A pré-candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao governo de São Paulo foi anunciada nesta quinta, 19, em evento realizado no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, com a presença do presidente Lula, do vice Geraldo Alckmin e outras autoridades, entre elas a presidenta do PCdoB, Nádia Campeão.

O PT e partidos aliados apostam em ganhar o governo paulista e aproveitar o palanque do estado, maior colégio eleitoral do país com 34,4 milhões de eleitores, para alavancar a campanha presidencial de Lula.

Haddad vai dedicar-se à pré-campanha e o presidente Lula deixa claro que a disputa em São Paulo não é apenas local. É um capítulo central na batalha global entre democracia e autoritarismo.

Haddad dia que não disputa para barganhar, ma para ganhar

Fernando Haddad rebateu especulações sobre “sacrifício eleitoral” com humor: “Quando vejo dizerem que o Haddad está indo para o sacrifício, é porque essa pessoa nunca tomou um chope comigo”.

Em seguida, foi direto ao ponto: “No meu caso nunca existiu barganha. Eu não disputo eleição para barganhar o que quer que seja. Eu disputo a eleição para ganhar. E é como vou disputar essa eleição”.

Reconhecendo o desafio, afirmou: “Vamos ter um debate duro pela frente, mas que pode resultar nesse despertar tão importante para o povo paulista”.

Sua pré-candidatura surge, assim, vinculada a três ideias-chave: a defesa de um projeto claro de Estado; o enfrentamento direto da desigualdade; e a construção de maioria política sem concessões programáticas.

Lula confirma reeleição e convoca militância à disputa de percepções

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou sua candidatura à reeleição e elevou o tom do discurso contra adversários políticos. “Eu vou ser candidato, porque enquanto esse jovem com 80 primaveras estiver com energia de 30, a extrema direita não volta a governar esse país”, afirmou.

O presidente indicou que a montagem de alianças — incluindo o papel de Alckmin — será estratégica. A lógica é construir um “time” competitivo, capaz de enfrentar uma disputa apertada e altamente polarizada. “Não será fácil”, disse Lula, ao reforçar que a vitória dependerá de mobilização contínua.

Alckmin: confiança e aposta na vitória

O vice-presidente Geraldo Alckmin reforçou a dimensão pragmática da candidatura. Seu foco recai sobre a viabilidade eleitoral e a capacidade administrativa de Haddad.

Com tom otimista, Alckmin foi direto: “Escrevam aí, o Haddad vai ganhar essa eleição”. O vice-presidente reforçou a necessidade de percorrer todo o estado ouvindo a população e construindo um programa com base em demandas reais.

Ele também destacou a trajetória de Haddad como gestor e articulador, citando a reforma tributária como exemplo de capacidade política. Há também uma leitura implícita de que São Paulo vive um momento de paralisia, que exigiria um novo ciclo de desenvolvimento com orientação social. Para Alckmin, o desafio é tirar São Paulo da “inércia” e colocá-lo em um novo ciclo de desenvolvimento “humanista, com alma e sentimento”.

Presente, a presidenta nacional do PCdoB, Nádia Campeão afirmou que a campanha de Fernando Haddad ao governo de São Paulo será uma batalha de grande importância na eleição nacional em que vamos reeleger o presidente Lula e derrotar a extrema-direita bolsonarista, defender a democracia, a soberania nacional e a paz.

“O PCdoB e toda sua militância já está mobilizado e intensificará nossa participação nesta disputa fundamental”, garantiu.

O lançamento da pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo paulista foi marcado por um diagnóstico comum entre as lideranças: São Paulo será decisivo para os rumos do país.

A pré-campanha começa, portanto, com um ativo relevante: unidade discursiva e clareza de objetivos. O desafio, a partir daqui, será traduzir esse alinhamento em capilaridade eleitoral num cenário altamente competitivo.

O evento reuniu um amplo arco de lideranças políticas, partidárias, sindicais e do governo federal, incluindo ministros e integrantes do governo federal, direções partidárias e lideranças dos movimentos sociais.

por cezar xavier