a concentração dos estudantes foi num ponto da Av Aricanduva, de onde caminharam pela importante via da Zona Leste. 

Nesta sexta-feira (13), a Avenida Aricanduva, uma das principais vias da Zona Leste de São Paulo, foi palco de uma manifestação estudantil. Integrantes da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES) e da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) paralisaram o trânsito para denunciar o sucateamento da educação pública, exigir o fim das escolas cívico-militares e protestar contra a gestão do governador Tarcísio de Freitas e do secretário da Educação, Renato Feder.

Protesto ganha as ruas

“Hoje, aqui no estado de São Paulo, a gente incendiou a Avenida Aricanduva para mostrar que os estudantes estão indignados”, afirmou Julia Monteiro, presidente da UPES, durante o ato. A paralisação, que ocorreu no período da tarde, reuniu dezenas de jovens que carregavam faixas, cartazes e entoavam palavras de ordem como “Estudante na rua, Tarcísio a culpa é sua!” e “Não vai ter arrego!”.

A ação não foi apenas simbólica: ao interromper o fluxo de veículos em uma via estratégica, os estudantes garantiram visibilidade às suas pautas e demonstraram capacidade de mobilização. “Nossa resposta aos ataques será nas ruas, conversando com cada estudante e familiar para lutar por uma educação pública e de qualidade”, completou Julia.

Contra o autoritarismo: o caso da ETEC São Mateus

Um dos episódios que motivaram a mobilização ocorreu na ETEC São Mateus, onde um diretor da UPES foi alvo de medidas autoritárias por parte da direção escolar. Em solidariedade, os manifestantes realizaram uma concentração em frente à unidade antes de seguir para a Aricanduva.

“Denunciamos o autoritarismo e os desmontes da educação”, explicaram os organizadores. O caso ilustra um padrão recorrente, segundo as entidades: cerceamento da participação estudantil, criminalização de lideranças e tentativa de silenciar vozes críticas dentro das escolas.

Mês de Lutas: articulação nacional em defesa da educação

O protesto em São Paulo integra o “Mês de Lutas da UBES”, campanha nacional que visa fortalecer a mobilização estudantil em todo o país. “A gente vai fazer uma ação aqui da UBES, começou aqui em São Paulo, junto com a União Paulista dos Estudantes Secundaristas”, explicou Hugo Silva, presidente da UBES.

Para Hugo, a presença das entidades em cada escola é fundamental: “As mobilizações começaram aqui em São Mateus, em que os estudantes estão organizados para dizer que a gente não vai aceitar o teto caindo na nossa escola e a nossa escola sofrendo os ataques do governo Tarcísio de Freitas”.

Pautas centrais: orçamento, militarização e democracia

As demandas dos manifestantes são claras e objetivas:

  • Mais recursos para a educação pública: contra cortes orçamentários que precarizam infraestrutura, reduzem quadros e limitam o acesso ao ensino de qualidade;
  • Fim das escolas cívico-militares: modelo criticado por entidades estudantis por impor disciplina rígida, cercear a autonomia pedagógica e militarizar espaços de formação crítica;
  • Combate ao autoritarismo: por liberdade de organização estudantil, respeito às entidades representativas e participação democrática nas decisões escolares;
  • Fora Tarcísio e Feder: responsabilização da gestão estadual pelo sucateamento do ensino público paulista.

A luta continua

Apesar da força do ato desta sexta, os organizadores reforçam que a mobilização não termina aqui. “Estamos mobilizando centenas de estudantes para o ato em defesa da educação pública”, afirmaram. A estratégia inclui rodar escolas, realizar assembleias e articular novas ações de rua, sempre em diálogo com famílias e trabalhadores da educação.

A mensagem deixada na Aricanduva é direta: se o governo insiste em atacar a educação, os estudantes responderão com organização, protesto e presença massiva nas ruas. Como resumiu Julia Monteiro: “Se mexer com a educação, nós vamos tirar o sossego de todos aqueles que atentarem contra a educação paulista”.

Enquanto isso, o “Mês de Lutas da UBES” segue ganhando corpo em todo o Brasil. A expectativa é que a mobilização estudantil pressione governos estaduais e federal a reverterem cortes, investirem no ensino público e respeitarem a autonomia das instituições de ensino. A juventude, afinal, não aceita migalhas — e faz questão de dizer isso em voz alta.

por cezar xavier