Embaixador do Brasil no Irã diz que EUA mudar o governo iraniano “será uma tarefa hercúlea e sangrenta”
O embaixador do Brasil no Irã, André Veras, fez uma avaliação sobre a tentativa do governo dos EUA de Donald Trump de, além de continuar ameaçando e agredindo militarmente os iranianos, escalando uma guerra que mata indiscriminadamente a população civil, promover a derrubada do regime islâmico.
“Será uma tarefa hercúlea e sangrenta”, além de custosa, que geraria perdas econômicas globais devido à posição estratégica do Irã no comércio mundial do petróleo, principalmente, considerou o diplomata.
“Não haveria uma possibilidade de mudança [do regime iraniano] ou de algum fim deste conflito se fôssemos pensar apenas da perspectiva de ataques [exclusivamente] aéreos”, afirmou Veras, ao ser entrevistado pelo jornalista José Luiz Datena, durante o programa Alô Alô Brasil, transmitido pela Rádio Nacional, nesta segunda-feira (9).
“[Daí] a discussão sobre o [possível] envio de soldados”, continuou o embaixador, apontando as dificuldades que tropas estrangeiras enfrentariam em uma eventual incursão terrestre, como as dimensões do território iraniano, caracterizado por um terreno montanhoso, e a própria capacidade ofensiva militar do Irã. O embaixador ressalta que no Irã a situação é diferente da encontrada pelos EUA em um passado próximo.
“Então, aqui, a coisa vai exigir um pouco mais de esforço se quiserem, realmente, derrubar o regime. E acho que será uma tarefa hercúlea. Sangrenta”, afirmou Veras.
O embaixador avaliou que, dez dias após Estados Unidos e Israel terem iniciado os primeiros ataques aéreos contra alvos em território iraniano, matando o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, e centenas de civis, serviços básicos como o fornecimento de água, luz e gás, continuam funcionando e a população tenta manter a rotina, demonstrando uma resiliência infraestrutural.
“O comércio está aberto. As escolas estão tendo aulas remotamente. Os mercados continuam abastecidos. Não há corte de energia, de água ou gás, mas a gasolina está sendo racionada. Não só por causa dos grandes ataques, mas porque, antes mesmo do início da guerra, o Irã já estava passando por uma limitação de sua capacidade de refino”, comentou o diplomata.
Outro ponto que demonstra a solidez institucional do Irã foi a rápida substituição de Khamenei, que há 36 anos chefiava o Estado, por seu filho, Seyyed Mojtaba Khamenei, de 56 anos, considerou, ainda, Veras.
A Assembleia dos Especialistas (ou dos Peritos) escolheu Seyyed no fim de fevereiro, dias após o pai e parte da família dele serem mortos por bombas lançadas sobre a residência do antigo aiatolá. A escolha foi confirmada neste domingo.
Fonte: Página 8




