Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil

Novos dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) apontam para avanços importantes nas negociações salariais em benefício dos trabalhadores neste início de 2026. Nesses três primeiros meses, 89,1% dos reajustes salariais tiveram ganhos reais, ou seja, acima da inflação. Outros 8,1% foram iguais à variação do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) do IBGE e 2,8% ficaram abaixo.

Segundo o boletim “De Olho nas Negociações”, produzido pela entidade, “o resultado é significativamente melhor do que o observado na somatória das últimas 12 datas-bases (de março de 2025 a fevereiro de 2026)”. Considerando esse conjunto, o percentual de reajuste acima da inflação foi de 77%; igual, ficou em 14,6% e abaixo, em 8,4%. Analisando apenas o mês de fevereiro, 88,6% dos reajustes salariais registrados até 9 de março alcançaram ganhos reais.

De acordo com o Dieese, houve aumento no percentual de negociações com reajustes abaixo da inflação: de 2,2%, em janeiro, para 7,8%, em fevereiro e queda no valor da variação real média, de 1,92% para 1,44%. “Mesmo assim, os dados de fevereiro estão entre os melhores registrados nas últimas 12 datas-bases”, aponta.

Outro dado trazidos pelo levantamento é que a variação real média dos reajustes de fevereiro é igual a 1,44%, o segundo maior valor em 12 meses, atrás somente de janeiro de 2026.

Quanto ao parcelamento dos reajustes, a entidade identificou que apenas um dos 114 reajustes de fevereiro de 2026 (0,9%) foi pago de forma parcelada. Os demais foram pagos em uma única parcela na data-base.

No que diz respeito ao escalonamento, foi verificado que em fevereiro, 7% dos reajustes foram pagos de forma escalonada, ou seja, em percentuais diferentes conforme faixa salarial do(a) trabalhador(a) ou tamanho da empresa.

Desempenho por setor e região

O Dieese também destacou os segmentos econômicos que tiveram melhor desempenho nos reajustes no primeiro bimestre de 2026. O mais destacado foi o de serviços, cujos ganhos reais ocorreram em 91,7% das negociações, resultado muito próximo do registrado pela indústria (91,6% dos casos).

O menor percentual de reajustes acima da variação do INPC foi observado no comércio (66,7%), enquanto a maior porcentagem de resultados abaixo da inflação ficou com o setor rural (21,1%).

Em relação à variação real média, os ganhos de janeiro foram de 2,11% nos serviços, 1,73% na indústria, 1,15% no comércio e 1,09% no setor rural.

“Tanto a distribuição dos reajustes, na comparação com a variação do INPC, quanto a variação real média, em janeiro, são superiores às observadas no acumulado das últimas 12 datas-bases (mar/25-fev/26), exceto no comércio, que registrou mais ganhos reais nesse período, mas variação real média inferior”, explica a publicação.

No caso do recorte regional, o levantamento mostra que o Norte e o Nordeste tiveram os melhores resultados: 92% das negociações em cada uma das regiões obtiveram reajustes superiores ao INPC.

Em relação à variação real média, os ganhos variam de 1,41%, no Norte, a 2,13%, no Sudeste. “Também nesse caso, os resultados de 2026 são superiores aos observados no acumulado dos últimas 12 datas-bases (março de 2025-fevereiro de 2026)”, aponta.

Pisos salariais

Por último, o Dieese calculou o valor médio dos pisos salariais no primeiro bimestre de 2026, que ficou em R$ 1.817, enquanto o mediano foi de R$ 1.704. Nas últimas 12 datas-bases, o valor médio dos pisos ficou em R$ 1.898, e o mediano, em R$ 1.786.

“Entre os setores econômicos, os maiores pisos médios foram encontrados nos serviços: R$ 1.860, no primeiro bimestre do ano, R$ 1.947 nas últimas 12 datas-bases. Os maiores pisos medianos foram de R$ 1.826, no setor rural, considerando o primeiro bimestre de 2026; e de R$ 1.834, na indústria, levando em conta as 12 últimas datas-bases”, afirma o Dieese.

Entre as regiões geográficas, analisando apenas os pisos de 2026, os maiores valores médio e mediano são do Sul: R$ 1.936 e R$ 1.900, respectivamente. Já os maiores, nas últimas 12 datas-bases, são do Sudeste (maior piso médio: R$1.951) e Sul (maior piso mediano: R$ 1.872).