Sempre solidária a Cuba, a Venezuela sofreu ataque à sua soberania pelos EUA

Uma nova jornada internacional de solidariedade a Cuba mobiliza organizações políticas, movimentos sociais e entidades populares de vários continentes. A viagem culmina na Conferência Internacional de Solidariedade a Cuba, marcada para os dias 19 a 21 de março, no Malecón, com a chegada da Flotilha Nuestra América, para debater a crise enfrentada pela ilha e organizar ações concretas de apoio ao povo cubano.

Em entrevista, a cientista política Ana Prestes, secretária de Relações Internacionais do PCdoB, detalhou os objetivos da missão e alertou para a gravidade do momento: “O bloqueio mais grave que já ocorreu dos Estados Unidos contra Cuba está em curso. É uma prioridade emergencial, a prioridade das prioridades”. Segundo ela, a conferência reúne diferentes redes do campo progressista internacional.

“Essa iniciativa começou com a Internacional Progressista, mas hoje envolve várias plataformas e organizações. Também participa o Foro de São Paulo, além de movimentos da sociedade civil da América Latina, da Europa e dos próprios Estados Unidos, que desafiam a administração Trump”, explica. Ana Prestes estará integrará a delegação brasileira do PCdoB, acompanhada de Amanda Harumy, pesquisadora da Prolam-USP (Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina).

Doações e apoio concreto à população cubana

O encontro internacional será marcado pela entrega de doações arrecadadas por campanhas de solidariedade em diversos países. Entre os principais itens estão medicamentos, alimentos básicos e produtos de higiene.

“O objetivo é entregar tudo que já foi coletado, conhecer melhor a situação em Cuba, o que eles estão mais precisando, e discutir formas de solidariedade”, explicou Ana Prestes. A conferência reunirá partidos comunistas e progressistas, organizações populares, sindicatos e entidades estudantis em um gesto político de resistência ao imperialismo.

Segundo Ana Prestes, o objetivo é responder às necessidades imediatas da população cubana diante do agravamento das dificuldades econômicas.

“Estamos levando alimentos como leite em pó, produtos básicos de higiene, medicamentos e também equipamentos para ajudar na geração de energia”, relata.

Um dos itens mais importantes são os painéis solares, enviados para ajudar a enfrentar a crise energética provocada pela escassez de combustível.

A flotilha Nuestra América

Um dos símbolos mais potentes da mobilização é a Flotilha Nuestra América, comboio global de ajuda humanitária liderado pelo brasileiro Thiago Ávila, que chegará a Havana no dia 21 de março. “Algumas embarcações vão se dirigir ali para Havana, justamente para mostrar esse furo do bloqueio”, destacou Ana.

A flotilha parte do México, da região de Yucatán, e busca romper fisicamente o cerco imposto por Washington, demonstrando que Cuba não está isolada. “Cuba sempre foi solidária com o mundo”, afirmou Ana, citando a tradição internacionalista da Revolução Cubana, que leva médicos, vacinas e cooperação técnica a dezenas de países mesmo sob as mais severas restrições.

“A ideia é também romper simbolicamente o bloqueio. Algumas embarcações sairão em direção a Havana justamente para mostrar que esse cerco não é aceito pelos povos”, afirma Ana Prestes.

Mobilização no Brasil

No Brasil, a campanha de solidariedade envolve diversas organizações populares. Participam da mobilização entidades como a União Nacional dos Estudantes (UNE), a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), movimentos sociais e partidos progressistas.

Além da coleta de medicamentos e alimentos, uma das prioridades da campanha é a arrecadação de recursos para a compra de placas fotovoltaicas.

Segundo os organizadores, esses equipamentos já conseguem responder por cerca de 20% da geração necessária em algumas áreas da ilha.

O que Cuba mais precisa: de alimentos a painéis solares

As campanhas de arrecadação no Brasil priorizam itens essenciais para enfrentar a crise humanitária agravada pelo bloqueio. Entre os produtos mais solicitados estão:

  • Alimentos básicos: leite em pó, itens de primeira necessidade;
  • Higiene pessoal: absorventes, sabonetes, produtos de limpeza;
  • Medicamentos: analgésicos e remédios de uso contínuo;
  • Energia renovável: placas fotovoltaicas, que já representam quase 20% da geração diária de energia necessária na ilha.

“A coleta de placas fotovoltaicas tem sido fundamental para amenizar a grave crise energética e os constantes apagões”, ressaltou Ana Prestes. Organizações como UNE, CTB e comitês de solidariedade disponibilizam contas bancárias e pontos de coleta para facilitar a contribuição da sociedade brasileira.

Bloqueio como guerra econômica: questão estratégica para a América Latina

Ana Prestes classificou o endurecimento do embargo por Donald Trump — com medidas que autorizam o confisco de navios que levem petróleo a Cuba — como parte de uma estratégia regional de cerco. “O aperto maior sobre Cuba faz parte de um foco do Departamento de Estado sobre a América Latina e o Caribe”, analisou, citando também as pressões sobre a Venezuela e acordos militares com países vizinhos.

Para ela, a luta contra o bloqueio a Cuba é estratégica para o Brasil: “Como potência política e exportador de petróleo, temos capacidade de ser solidário a Cuba de forma estratégica”. A articulação com o governo Lula para envio de combustível à ilha é uma das frentes prioritárias da campanha.

Pressão sobre governos: Brasil pode e deve enviar petróleo

A campanha também visa pressionar governos progressistas da região a enviarem combustível a Cuba. “É uma forma de pressionar os governos a mandarem combustível pra Cuba”, disse Ana, destacando que a escassez de petróleo já dura meses e prejudica transporte, saúde e produção de alimentos.

No Brasil, a articulação passa pelo fortalecimento do Grupo Parlamentar Brasil-Cuba e por audiências com setores do governo federal. 

Contra o bloqueio

A mobilização internacional ocorre em meio ao endurecimento do embargo imposto pelos Estados Unidos a Cuba — uma política que já dura mais de seis décadas e que voltou a ser intensificada pelo governo de Donald Trump.

As medidas recentes incluem ações para restringir o fornecimento de petróleo ao país caribenho, agravando apagões e dificuldades no transporte e na economia.

Diante desse cenário, Ana Prestes destaca que a solidariedade internacional se torna ainda mais necessária.

“A conferência busca justamente discutir essa situação emergencial e organizar formas concretas de apoio ao povo cubano”, afirma.

Cuba não está só

Ao final da entrevista, Ana Prestes sintetizou o espírito da missão: “Todo ataque a Cuba é um ataque às causas mais justas da humanidade”. A viagem da delegação brasileira a Havana não é apenas um gesto de solidariedade — é um ato político de resistência ao imperialismo e de afirmação da soberania dos povos do Sul Global.

Enquanto o bloqueio dos EUA tenta estrangular a ilha, a resposta organizada da sociedade civil internacional prova que Cuba não está só. E que a solidariedade, quando se faz ação concreta, é também uma arma de libertação.

Calendário de luta ao centenário de Fidel

A solidariedade a Cuba terá desdobramentos ao longo de 2026. Confira as principais datas:

  • 18 de março: Atividade na Assembleia Legislativa de São Paulo;
  • 21 de março: Lançamento da Campanha Nacional de Arrecadação de Medicamentos e chegada da Flotilha Nuestra América a Havana;
  • 26 a 29 de março: Conferência Internacional Antifascista, em Porto Alegre;
  • 15 de abril: Marcha das centrais sindicais em Brasília, com articulação do movimento sindical pela solidariedade a Cuba;
  • 1º de maio: Brigadistas internacionalistas participarão das comemorações do Dia dos Trabalhadores em Cuba, entregando medicamentos coletados;
  • 26 de julho: Dia Nacional da Rebeldia Cubana, com atividades políticas e culturais no Brasil;
  • 13 de agosto: Celebração do centenário de Fidel Castro, com iniciativas em todo o país.

por cezar xavier