Foto: Sueli Scutti

Como forma de mobilizar a sociedade contra o feminicídio, foi realizado neste domingo (1º), em São Paulo (SP), o ato Memorial pela Vida das Mulheres, uma manifestação com intervenções artísticas e culturais, caminhada e a participação de lideranças políticas e sociais.

As atividades aconteceram no bairro Parque Novo Mundo, onde Tainara Souza Santos, de 31 anos, foi vítima de feminicídio após ser arrastada, de carro, pelo ex-parceiro Douglas Alves da Silva no final do ano passado, um dos casos mais brutais de assassinato por motivação de gênero já registrados no país. 

Entre as intervenções promovidas, um mural na Marginal Tietê — via pela qual Tainara foi arrastada — foi pintado por um grupo de artistas mulheres, com grafites em homenagem à jovem e às outras vítimas de feminicídio. 

A atividade — que marcou a abertura oficial das ações do Ministério das Mulheres para o mês de março e faz parte do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio — contou com as presenças das ministras das Mulheres, Márcia Lopes; do Meio Ambiente, Marina Silva; e dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara; do ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, e de parlamentares e representantes de movimentos sociais, como a União Brasileira de Mulheres (UBM) de São Paulo, além da mãe e da irmã de Tainara, Lúcia e Tatiana Souza da Silva. 

Lucia, mãe de Tainara, e a ministra Marcia Lopes. Foto: Marla Galdino

“A mulher não pode mais falar ‘não’ para  um homem?”, questionou Lúcia.

Dirigindo-se ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, declarou: “Se minha voz chegar ao senhor, te peço como mãe que o senhor nos ajude”. 

A ministra Márcia Lopes salientou que “é muito difícil, para uma mãe, viver essa dor. Mas, a gente tem vivido isso, infelizmente, com muita gente no Brasil inteiro. Cada morte deveria envergonhar todas as autoridades”. E acrescentou: “Não podemos nos conformar com a ausência dos direitos das pessoas e, principalmente, das mulheres”. 

Já a ministra Marina Silva destacou: “A gente quer reparação: reparação social, cultural, política e reparação da justiça”. 

Manifestação necessária 

A dirigente da UBM da cidade de São Paulo, Cláudia Rodrigues, declarou ao Portal Vermelho que a atividade foi “um ato necessário e importante devido à gravidade do aumento de feminicídios, inclusive aqui no estado de São Paulo, onde o governador está insensível à violência contra as mulheres e inerte às ações necessárias para combater esse tipo de crime”. 

Cláudia lembrou, ainda, que Tarcísio “retirou verbas do orçamento da Secretaria da Mulher, que poderiam ser aplicadas na abertura de novas delegacias especializadas, principalmente nas periferias, em programas de prevenção e de enfrentamento à violência e na promoção da cidadania. Em vez de avançar na proteção e dignidade das mulheres, o governo estadual aprofunda o retrocesso”. 

Cláudia avalia positivamente as medidas que vêm sendo tomadas pelo Governo do Brasil e afirmou que o Pacto precisa “urgentemente ser convertido em ações práticas por parte de todos os poderes, de todas as esferas, e por parte da sociedade civil, porque as mulheres precisam ser protegidas desde a prevenção à violência, para se evitar que as agressões cheguem ao extremo do feminicídio”.

Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio é uma iniciativa proposta pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como forma de intensificar as ações federais e envolver os Três Poderes, em seus três níveis federativos, em medidas para enfrentar a onda de violência e assassinatos de mulheres por razões de gênero. 

Somente em 2025, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, houve mais de 1,4 mil feminicídios em todo o país, uma média de quatro por dia. São Paulo liderou a lista, com 233 registros, seguido de Minas Gerais, com 139, e do Rio Janeiro, com 104 — todos os estados são governados por bolsonaristas.