Renato Rabelo participando de Encontro com sindicalistas de todo o país, em São Paulo

A morte do ex-presidente do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Renato Rabelo, aos 83 anos, neste domingo (15), em São Paulo, provocou manifestações de pesar entre lideranças de diferentes centrais sindicais . As manifestações apontam que a influência de Renato Rabelo extrapolou o campo partidário.

Sua atuação na resistência à ditadura, na reconstrução democrática e na articulação de frentes políticas que culminaram na eleição de governos progressistas foi lembrada como parte de um ciclo histórico que impactou diretamente o movimento sindical.

Para o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Araújo, Renato foi “um exemplar dirigente político, abnegado e conectado com os desafios do seu tempo”.

Segundo ele, o ex-presidente do PCdoB cumpriu papel decisivo na orientação do sindicalismo brasileiro e na consolidação de um projeto comprometido com a classe trabalhadora. “No exercício do seu mandato nasceu a CTB, que hoje se constituiu na segunda maior e mais representativa central sindical do Brasil”, afirmou.

Adilson ressaltou ainda que Renato foi “amálgama da luta de resistência com a construção do ideal socialista”, destacando sua atuação contra a ditadura e na formação da Frente Brasil Popular.

“Defensor dos trabalhadores”

A Força Sindical também lamentou a morte do dirigente comunista. Em nota, a central afirmou que Renato foi “militante incansável em favor dos mais pobres” e “um dos principais articuladores da esquerda no período pós-redemocratização”.

A entidade destacou ainda sua postura aberta ao diálogo e o incentivo ao fortalecimento do movimento sindical “como instrumento para o desenvolvimento nacional”.

Para o Centro Nacional de Estudos Sindicais e do Trabalho (CES), Renato foi “exemplo de sabedoria política, convicção democrática e enorme capacidade de diálogo”. A instituição ressaltou sua contribuição à formação política e ao fortalecimento da Escola Nacional João Amazonas, espaço de elaboração estratégica vinculado ao PCdoB.

Na avaliação do CES, sua trajetória ajudou a formar “gerações de militantes comprometidos com o povo brasileiro” e reafirmou a centralidade da teoria e da organização na luta transformadora.

“Compromisso com as causas nacionais”

O presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Antonio Neto, definiu Renato como “um brasileiro apaixonado, profundamente comprometido com as causas nacionais”.

Em mensagem de solidariedade, destacou sua vocação para as lutas sociais e agradeceu a militância dedicada “pelo nosso amado Brasil”.

O PSTU e a CSP-Conlutas expressaram seus sentimentos aos amigos, familiares e militantes do PCdoB . “Sintam-se abraçados. Renato Rabelo Presente!”

Houve manifestações diretas ao PCdoB, familiares e amigos de Renato oriundas da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Nova Central (NCST). Emanuel Melato, da Intersindical Instrumento de Luta e Nilza Pereira de Almeida, secretária-geral da Intersindical da Classe Trabalhadora, completam a lista de manifestações sentidas.

Legado para além do partido

A Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (FINDECT), por meio de seu presidente José Aparecido Gandara e de toda a diretoria, manifestou profundo pesar.

“Renato Rabelo dedicou-se à construção de um projeto nacional comprometido com a classe trabalhadora. Sua atuação política contribuiu para fortalecer as lutas populares e o movimento sindical classista”.

Ao enfatizar diálogo, formação e compromisso com a classe trabalhadora, as centrais sindicais sintetizam o reconhecimento a um dirigente que ajudou a moldar a relação entre política e sindicalismo nas últimas décadas.

Nas palavras repetidas pelas entidades, a despedida é marcada por uma afirmação comum: Renato Rabelo segue “presente” na memória e na luta do povo brasileiro.

por Cezar Xavier