Bomba lançada sobre Khan Yunis, em Gaza, por caça israelense | Foto: BBC

Ataques aéreos e de tanques israelenses em Gaza nesta quarta-feira (4) mataram 21 pessoas, incluindo 6 crianças, em meio a uma nova escalada de violência que ameaça a trégua na região, segundo autoridades de saúde palestinas.

Os ataques ocorreram três dias após o governo genocida de Benjamin Netanyahu reabrir a principal passagem de fronteira de Gaza com o Egito, fato que, se fosse levado a sério, seria um passo importante na trégua a qual os Estados Unidos diz mediar.

As Forças Armadas israelenses, em resposta que virou praxe e não apresenta nenhuma comprovação, afirmaram que os ataques foram uma resposta a disparos de militantes contra tropas israelenses feitos pelo Hamas.

Entre os mortos estava um médico que havia corrido para socorrer vítimas de um ataque em Khan Younis, no sul de Gaza, e acabou sendo atingido por um segundo ataque no mesmo local, informaram autoridades de saúde. 

Outros ataques atingiram a cidade de Gaza, no norte, onde um bebê de cinco meses também morreu.

Pacientes palestinos que se preparavam para atravessar a passagem de Rafah para o Egito para poder receber um mínimo atendimento de saúde, que está praticamente impossibilitado na região, foram informados de que Israel havia adiado a travessia. Horas depois, receberam a orientação de se preparar novamente para atravessar a fronteira sem ter segurança de que não seriam atacados.

Uma fonte de segurança egípcia informou que esforços estavam sendo feitos para reabrir a passagem e que Israel citou questões de segurança em Rafah como motivo para o fechamento temporário. A reabertura de Rafah era uma das exigências do cessar-fogo de outubro, parte do plano que acabou combinado com Trump, para reduzir os combates entre Israel e o Hamas.

Na terça-feira (3), 16 pacientes de Gaza e 40 acompanhantes cruzaram para o Egito, segundo médicos locais. Uma fonte da polícia de Gaza afirmou que pelo menos 40 pessoas retornaram do Egito na noite do mesmo dia.

A guerra genocida de Israel   contra Gaza matou pelo menos 71.824 pessoas e feriu 171.608 desde outubro de 2023. 

O Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que mais de 18.500 pacientes em Gaza necessitam de cuidados médicos especializados e de qualidade que atualmente não estão disponíveis.

Em uma mensagem publicada na terça-feira em sua plataforma X, Tedros indicou que a OMS e seus parceiros apoiaram a evacuação, na segunda-feira, de cinco pacientes e sete acompanhantes para o Egito através do posto de controle de Rafah. Esta foi “a primeira evacuação médica por esta rota desde março de 2025”, acrescentou.

Ghebreyesus enfatizou a urgência da reabilitação e reconstrução do sistema de saúde de Gaza, a fim de reduzir a dependência em relação às evacuações médicas, após mais de dois anos de ataques contínuos. Ele também pediu a reabertura imediata da rota de encaminhamento médico para a Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, a fim de agilizar o acesso a cuidados que salvam vidas.

Fonte: Papiro