Trator israelense destrói Agência da ONU para refugiados palestinos | Foto: Ilia Yefimovich/AFP

“Israel continua a exercer pressão política para eliminar a UNRWA, e testemunhamos a demolição de nossa sede em Jerusalém Oriental ocupada”, denunciou o comissário-geral da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), Philippe Lazzarini.

O comissário-geral acrescentou que a Agência da ONU de assistência aos refugiados palestinos opera sob “imensa pressão” e que Israel continua a violar o direito internacional.

Durante coletiva de imprensa no âmbito da Conferência de Segurança de Munique, na Alemanha, Lazzarini descreveu a situação em Gaza como “trágica”, observando que a população “está privada de quase tudo e lutando para sobreviver” como resultado do que qualificou como uma “guerra de extermínio israelense”.

Ele enfatizou que as crianças palestinas não frequentam a escola há mais de dois anos, sublinhando a importância crucial de que a UNRWA continue fornecendo serviços essenciais de saúde e educação primária e secundária a milhões de refugiados.

Além disso, o diplomata alertou para a escalada da situação na Cisjordânia, onde “os israelenses, que estão se apropriando de terras palestinas, estão intensificando a violência e as confiscações de terras”. Nesse contexto, ele fez um apelo urgente à comunidade internacional para que “chame a atenção para os acontecimentos na Cisjordânia antes que seja tarde demais”, alertando que essas ações “minam o futuro da solução de dois Estados”.

A decisão do governo israelense de permitir e incentivar que seus cidadãos comprem terras na Cisjordânia ocupada visa agravar o controle sobre áreas já ocupadas ilegalmente. “É uma receita para maior controle, desespero e violência”, escreveu Lazzarini.

Os assentamentos israelenses “carecem de validade jurídica e constituem uma violação flagrante do direito internacional”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, condenação que é compartilhada pela Liga Árabe e pela Organização de Cooperação dos Países Islâmicos e várias organizações de direitos humanos.

Apesar da presença israelense na Cisjordânia ocupada ser considerada ilegal tanto pela Corte Internacional de Justiça quanto pela ONU, Israel continua tomando medidas para garantir o controle a região e ignora os apelos para desmantelar esses assentamentos e o muro construído principalmente em território palestino.

A UNRWA foi criada por decisão da Assembleia Geral da ONU e desde 1949 presta assistência direta a mais de 5,9 milhões de refugiados palestinos em Gaza, Cisjordânia, Jordânia, Líbano e Síria. Seu trabalho tem sido crucial em emergências prolongadas, particularmente após a escalada do conflito em outubro de 2023. Mas, é exatamente pelo apoio à sobrevivência dos palestinos que o regime de apartheid de Israel e seu protetor mor, os EUA, tentam liquidá-la.

O número de vítimas da agressão israelense na Faixa de Gaza subiu para 72.051 pessoas mortas e 171.706 feridos desde o início da agressão em 7 de outubro de 2023.

Fontes médicas relataram no sábado (14) que o número total de pessoas que chegaram aos hospitais na Faixa de Gaza nas últimas 24 horas foi de 4 pessoas cujos corpos foram recuperados e 15 feridos, enquanto várias vítimas ainda estão sob os escombros e nas estradas, pois ambulâncias e equipes de resgate ainda não conseguiram chegar até elas.

As mesmas fontes indicaram que o número total de mortos desde o cessar-fogo de 11 de outubro do ano passado, diariamente rompido por Israel, subiu para 591 e o número total de feridos para 1.598, enquanto 726 corpos foram recuperados.

Fonte: Papiro