Neocolonialismo trumpista mira territórios estratégicos para os EUA
A voracidade do imperialismo estadunidense, impulsionado por Donald Trump, vai muito além das recentes investidas ilegais contra a Venezuela. Os ataques ao país e declarações recentes do republicano ligaram o sinal vermelho para outras nações dentro e fora da América Latina.
A estratégia neocolonialista de Trump visa ampliar, de maneira agressiva e autoritária, a presença estadunidense em territórios de seu interesse, de olho especialmente nas riquezas naturais desses territórios — com destaque para o petróleo e minerais estratégicos —, bem como em um reposicionamento geopolítico que amplie o poderio e a hegemonia estadunidense, o que inclui a derrubada de governos alinhados à esquerda e a implantação de outros subservientes a Washington.
Trata-se, portanto, de uma questão de espraiar o poder político e econômico dos EUA, passando por cima da soberania dos países e de tratados internacionais.
Esses elementos colocam no radar trumpista, além da Venezuela, países como Colômbia, Cuba, México e Brasil, além da Groenlândia, entre outros. Na esteira da intervenção ilegal contra a Venezuela, Trump não perdeu tempo e voltou a sua “metralhadora giratória” a outras nações.
Neste domingo (4), disse que “soa bem”, para ele, uma operação contra a Colômbia. “A Colômbia também está muito doente, governada por um homem doente, que gosta de produzir cocaína e vendê-la aos Estados Unidos — e não vai continuar fazendo isso por muito tempo”, acrescentou, adotando sua habitual fala rasa e infantilóide, propositadamente rebaixada a fim de estabelecer uma comunicação exitosa ao nível de seus seguidores.
Na sequência, ao ser questionado se iria investir militarmente contra o país, afirmou: “(isso) soa bem para mim”. Para justificar sua intenção de atacar a Colômbia, Trump tem acusado, sem provas, o presidente Gustavo Petro de ligação com o narcotráfico, seguindo o mesmo script que usou com Nicolás Maduro como forma de justificar uma intervenção armada no país.
Em resposta, a chancelaria da Colômbia classificou as ameaças como uma “ingerência inaceitável” e pediu “respeito” ao país e ao seu presidente.
Pelas redes sociais, Petro também se pronunciou: “rejeito veementemente as declarações de Trump baseadas na ignorância. Meu nome não consta em nenhum registro judicial de tráfico de drogas há 50 anos, nem no passado nem no presente. Pare de me difamar, Sr. Trump. Não é assim que se ameaça um presidente latino-americano que emergiu da luta armada e, posteriormente, da luta pela paz do povo colombiano”.
Numa mensagem longa em que fala também das lutas do povo estadunidense pela democracia ao longo da história, o presidente colombiano ainda destacou: “aprendi a não ser escravo e rejeito seus pronunciamentos que nos submetem unilateralmente ao seu domínio. Nós, latino-americanos, somos republicanos e independentes, e muitos de nós somos revolucionários. Não pensem que a América Latina é apenas um ninho de criminosos, envenenando seu povo. Respeitem-nos e leiam nossa história”.
México e Groenlândia
Trump também aproveitou para atacar o México. Na mesma toada, declarou que “é preciso fazer algo em relação ao México” e que os cartéis de drogas são “muito fortes e governam o país”.
A presidenta mexicana Claudia Sheinbaum, por sua vez, reiterou que o país está disposto a colaborar no combate ao tráfico, mas sem subordinação. E salientou que “o mais importante também é a responsabilidade compartilhada. Ou seja, evitamos e abordamos a insegurança e a violência no México. E impedimos que as drogas venham para a América. E eles também devem impedir que as armas venham para o México. E combater o próprio crime organizado que opera nos Estados Unidos”.
O presidente dos EUA também aproveitou os ataques à Venezuela para, novamente, ameaçar a Groenlândia, que tem sido alvo do republicano desde o início do seu mandato. Neste domingo (4), Trump voltou a expor sua intenção de anexar o território, que é autônomo e ligado à Dinamarca. “Nós precisamos de verdade da Groenlândia. Para a nossa defesa”, disse em entrevista à revista The Atlantic.
Em resposta via redes sociais, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen, foi incisivo: “Já chega!”. E completou: “Chega de pressão. Chega de insinuações. Chega de fantasias de anexação. Estamos abertos ao diálogo. Estamos abertos às discussões. Mas isso deve ser feito pelos canais adequados e com respeito ao direito internacional”.
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, também reagiu, afirmando que os EUA “não têm absolutamente nenhum direito de anexar a Groenlândia” e que deveriam parar de fazer ameaças “contra um aliado histórico e contra um país e um povo que já deixaram claro que não estão à venda”.


