Entidades da sociedade civil brasileira repudiam ataque à soberania venezuelana

Organizações populares, centrais sindicais e movimentos sociais brasileiros divulgaram, neste sábado (3), uma série de notas públicas condenando os ataques militares dos Estados Unidos contra a Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. As manifestações apontam violação do direito internacional, denunciam ingerência imperialista e convocam mobilização em defesa da soberania venezuelana e da paz regional.

Repúdio ao terrorismo de Estado e à violação do direito internacional

Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) classificou a ofensiva como “ato de terrorismo de Estado”, afirmando que os bombardeios e o sequestro da liderança venezuelana ferem a Carta da ONU e os princípios de convivência entre as nações. Para a entidade, a operação militar revela o caráter predatório do imperialismo norte-americano, interessado no controle de recursos estratégicos, como petróleo e minerais.

O Cebrapaz ressaltou ainda que a agressão não se limita à Venezuela, mas representa um precedente perigoso para toda a América Latina e o Caribe, conclamando organizações populares e movimentos sociais a promoverem atos imediatos de solidariedade.

Centrais sindicais denunciam golpismo e ingerência

Em nota conjunta, as centrais sindicais brasileiras afirmaram que o ataque confirma uma escalada golpista contra a Venezuela, construída ao longo de décadas desde a Revolução Bolivariana. CUT, Força Sindical, UGT, CTB, CSB, NCST, Intersindical e Pública Central do Servidor destacaram que a retórica de defesa da democracia e de combate ao narcotráfico encobre interesses econômicos e geopolíticos, incluindo o controle do petróleo venezuelano e o enfraquecimento de iniciativas como o BRICS.

As centrais defenderam que apenas o povo venezuelano tem legitimidade para decidir seu destino e alertaram que a intervenção representa ameaça direta à estabilidade regional, inclusive ao Brasil.

CTB: defender a Venezuela é defender a América Latina

Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) afirmou que os ataques militares e a captura do presidente venezuelano configuram grave afronta à soberania nacional e ao direito internacional. Para a entidade, a escalada intervencionista ultrapassa as fronteiras da Venezuela e coloca em risco a paz de todo o continente.

A CTB reiterou que a América Latina deve ser um território de diálogo e cooperação, reafirmando solidariedade ao povo venezuelano e apoio à mobilização internacional contra o imperialismo.

Movimento estudantil

União Nacional dos Estudantes (UNE) já havia denunciado, em dezembro do ano passado, que os verdadeiros objetivos dos EUA nunca foram o “combate ao narcotráfico” ou a “defesa da democracia” mas exercer seu controle imperialista sobre a América Latina, buscando derrubar todos os projetos de resistência popular que se recusassem a abrir mão de sua soberania e entregar seus recursos naturais.

Diante do que considera um ataque criminoso e terrorista, a UNE defende que o Brasil deve denunciar energicamente nos fóruns globais que a agressão contra a Venezuela representa um ataque à toda a América Latina. O movimento estudantil ainda convocou o conjunto dos movimentos sociais brasileiros a construir uma agenda de mobilização em defesa do povo venezuelano e da soberania da América Latina.

Conam destaca laços populares e comunitários

A Confederação Nacional das Associações de Moradores (Conam) também manifestou solidariedade ao povo venezuelano, lembrando os históricos laços de cooperação entre movimentos comunitários do Brasil e da Venezuela. A entidade afirmou que a soberania dos povos latino-americanos não é negociável e condenou qualquer agressão motivada por interesses econômicos e políticos.

UBM denuncia ofensiva imperialista e exige libertação

A União Brasileira de Mulheres (UBM) classificou o sequestro do presidente Nicolás Maduro como ato criminoso de agressão imperialista. A entidade destacou que o ataque representa ameaça direta à soberania e à estabilidade da América Latina e apresentou três exigências centrais: a libertação imediata de Maduro e Cilia Flores, o fim da agressão dos EUA e o respeito à autodeterminação dos povos.

Contag reforça defesa da autodeterminação dos povos

A Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag) destacou que a intervenção norte-americana viola frontalmente o direito internacional e ameaça toda a região. Em nota assinada pela presidenta Vânia Marques, a entidade afirmou que a história latino-americana comprova que intervenções desse tipo resultam em retrocessos sociais e ataques aos trabalhadores.

A Contag defendeu o multilateralismo, a solução pacífica de conflitos e a integração latino-americana, somando-se às exigências pelo fim imediato da agressão e pela libertação das lideranças venezuelanas.

MST fala em guerra e saque

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) afirmou que o ataque é o ponto máximo de uma longa sequência de agressões contra a Revolução Bolivariana. Para o movimento, trata-se de uma ação de guerra voltada ao saque do petróleo venezuelano e à retomada da lógica da Doutrina Monroe, que trata a América Latina como “quintal” do imperialismo.

O MST convocou organizações populares do Brasil e do mundo a se somarem à solidariedade internacional e reafirmou apoio histórico ao povo venezuelano.

Sindicato dos Escritores

O Sindicato dos Escritores do Estado de São Paulo condenou como grave a violação da soberania da Venezuela. O SINDEESP entende que o uso da força, a coerção externa e a intervenção em assuntos internos de um Estado soberano são práticas incompatíveis com qualquer ordem internacional fundada na democracia e na paz.

A agressão à soberania venezuelana não constitui um fato isolado, para os escritores, mas insere-se em uma lógica recorrente de desestabilização política, econômica e institucional que historicamente vitimou países da América Latina, sempre com consequências devastadoras para suas populações.

Unidade em defesa da soberania e da paz

Apesar das diferentes origens e campos de atuação, as entidades convergem em um ponto central: a rejeição à intervenção militar, a defesa da soberania da Venezuela e a convocação à unidade dos povos latino-americanos contra a guerra e a ingerência externa. Para os movimentos, defender a Venezuela é defender a autodeterminação e a paz em toda a América Latina.

por Cezar Xavier