Explosões são registradas essa madrugada em Caracas | Foto: AFP

Diante dos bombardeios desta madrugada em Caracas e demais cidades, o governo venezuelano declara o país em “comoção em todo o território nacional” e conclama que “para proteger os direitos da população e funcionamento pleno das instituições republicanas devemos passar de imediato à luta armada contra a agressão imperialista”.

Forças militares dos EUA estão realizando ataques contra a Venezuela que atingiram Caracas e outras regiões do país na madrugada deste sábado (3). Segundo testemunhas, as explosões ocorreram no complexo militar de Fuerte Tiuna e na base aérea de La Carlota, acompanhadas por helicópteros sobrevoando a área.

O governo venezuelano emitiu um comunicado após o primeiro ataque aéreo contra a cidade de Caracas “e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira”, classificando-o como uma “agressão militar muito grave”.

“Este ato constitui uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas, especialmente dos Artigos 1 e 2, que consagram o respeito à soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a proibição do uso da força. Tal agressão ameaça a paz e a estabilidade internacionais, particularmente na América Latina e no Caribe, e põe em grave risco a vida de milhões de pessoas”, disse o comunicado oficial.

Caracas alertou que o objetivo dos ataques “não é outro senão o de se apoderar dos recursos estratégicos da Venezuela, particularmente seu petróleo e minerais, em uma tentativa de romper à força a independência política do país”.

“O país inteiro deve se mobilizar para derrotar esta agressão imperialista”, diz o comunicado. Caracas anunciou ainda que apelará ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, ao Secretário-Geral da ONU, à Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e ao Movimento dos Países Não Alinhados (MNA) para exigir “a condenação e a responsabilização do governo dos EUA”.”

A Venezuela alertou também que se reserva “o direito de exercer legítima defesa para proteger seu povo, seu território e sua independência”, ao mesmo tempo em que pede a solidariedade internacional para condenar a agressão estrangeira.

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou na madrugada deste sábado desconhecer o paradeiro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Ela exigiu uma “prova de vida” de ambos após o ataque dos Estados Unidos ao país caribenho.

O ataque ocorre em meio a uma escalada da agressão que começou em agosto passado com o envio incomum de uma frota de guerra dos EUA às costas da Venezuela e bombardeio de pequenas embarcações acusadas, sem provas, de tráfico de drogas, e apreensão de petroleiros — atos que o governo venezuelano classificou como “roubo” e “pirataria”.

O que inicialmente foi apresentado como uma estratégia contra o narcotráfico transformou-se em um desejo explícito de se apoderar do petróleo do país sul-americano, que, segundo o presidente dos EUA, Donald Trump, foi “roubado de nós” pela Venezuela.

Fonte: Papiro