Ato em São Paulo reafirma solidariedade a Cuba em meio a tensões regionais
Na última quinta (15), Cuba homenageou 32 combatentes mortos em ataque militar dos EUA contra a Venezuela.
Um ato de solidariedade e apoio a Cuba será realizado neste sábado (24), em São Paulo, reunindo cubanos residentes no Brasil, militantes solidários e representantes de entidades sindicais e políticas. Convocada pela Associação Nacional de Cubanos Residentes no Brasil (Ancreb–SP), a atividade ocorre às 15h30, na sede da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), na Rua Cardoso de Almeida, 1843, no bairro de Sumaré, e se insere em um contexto de elevada tensão política na América Latina.
Segundo a Ancreb, a mobilização responde ao que a entidade classifica como “um momento decisivo da conjuntura”, marcado por ataques do imperialismo à Venezuela e por ameaças de guerra e violência contra Cuba por parte dos Estados Unidos. A convocação destaca a necessidade de não omissão diante desse cenário e propõe um ato conjunto contra agressões externas aos dois países.
Além da Ancreb, participam do evento o Consulado de Cuba e o Movimento Paulista de Solidariedade a Cuba, consolidando o ato como espaço de articulação política e denúncia internacional.
O papel do movimento sindical brasileiro
Ao sediar a atividade, a CTB reafirma sua tradição de solidariedade internacionalista. Para Carlos Rogério Nunes, secretário adjunto de Políticas Sociais, Esporte e Lazer da central, a iniciativa expressa uma posição histórica do sindicalismo brasileiro. Segundo ele, a CTB é defensora da autodeterminação dos povos e, por isso, acolhe o ato convocado pelos cubanos residentes no país.
A escolha da sede sindical não é casual: reforça a leitura de que a defesa da soberania nacional e o combate ao imperialismo fazem parte de uma agenda comum entre trabalhadores latino-americanos.
Segundo o presidente da CTB, Adilson Araújo, é imperativo fortalecer a luta de resistência contra o cerco imperialista imposto ao continente latino-americano e caribenho, em especial à Cuba e ao povo cubano.
“A cada dia fica mais evidente o intento estadunidense contra a liberdade e autodeterminação de povos e Nações. Dessa maneira, precisamos reforçar a mais vigorosa repulsa a ingerência neocolonialista no continente perpetrado pelos EUA”, declarou.
Na opinião do dirigente sindical, o governo de Donald Trump, tenta reverter a decadência econômica dos Estados Unidos com o uso da força contra os povos e nações da América Latina e Caribe.
“A luta contra o imperialismo e a guerra, em defesa da paz e da autodeterminação das nações, consagrada no direito internacional que os Estados Unidos estão atropelando, está na ordem do dia. A classe trabalhadora brasileira e os povos e nações da Nossa América devem se levantar e unir forças para derrotar o imperialismo e assegurar que os destinos das nações seja definido soberanamente pelos seus povos. No War! Yes Peace!”, completou Araújo.
Um dos eixos centrais da mobilização é a denúncia dos efeitos sociais e econômicos do bloqueio imposto a Cuba. A organização do ato sustenta que as sanções extrapolam o plano diplomático e atingem diretamente as condições de vida da população cubana, afetando acesso a medicamentos, insumos básicos e desenvolvimento econômico.
Nesse sentido, o evento busca fortalecer os laços entre os povos do Brasil e de Cuba, defendendo a unidade internacional dos trabalhadores como ferramenta de resistência política.
Diáspora cubana e memória recente
A mobilização em São Paulo dialoga com uma série de manifestações recentes da diáspora cubana no Brasil. Em declarações divulgadas em janeiro, a Ancreb expressou solidariedade às famílias dos 32 cubanos mortos em defesa da soberania da Venezuela, classificando o episódio como parte de uma escalada de hostilidade promovida pelos Estados Unidos.
As notas públicas enfatizam luto, homenagem e rejeição às ameaças externas, além de reafirmarem valores como unidade, paz e justiça, frequentemente associados à identidade política da diáspora organizada.
Mensagens de membros da Ancreb destacaram o caráter internacionalista dos cubanos mortos em missão oficial na Venezuela, interpretando suas mortes como expressão de compromisso com a autodeterminação dos povos. Para a entidade, a solidariedade manifestada no Brasil é também um gesto de patriotismo e continuidade histórica da resistência cubana.
Organização e engajamento
Para participar do ato, é necessário confirmar presença previamente, com envio de nome e CPF à organização pelo e-mail [email protected]. A exigência reflete o esforço de estruturação e coordenação da mobilização, que pretende combinar manifestação política, diálogo coletivo e demonstração pública de apoio.
Mais do que um evento pontual, o ato em São Paulo simboliza a persistência de uma rede de solidariedade ativa em torno de Cuba no Brasil. Em um contexto de tensões geopolíticas e disputas narrativas, a iniciativa reafirma a solidariedade internacional como escolha política consciente — e a soberania dos povos como princípio que segue mobilizando sindicatos, movimentos sociais e comunidades da diáspora latino-americana.
por Cezar Xavier


