93% dos rentistas querem manter juros a 15%, diz pesquisa
Na véspera da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, pesquisa do Valor Econômico com 120 instituições financeiras mostra que 112 delas esperam que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha, na próxima quarta-feira (28), a taxa básica de juro (Selic) em 15% ao ano, o maior nível em 20 anos.
A sondagem aponta que do total, 102 (ou 85% do total das instituições pesquisadas) projetam que o BC só dê início ao ciclo de corte da Selic na reunião do colegiado que ocorre em 18 de março.
Há seis meses que a Selic está no patamar de15%, afetando o crescimento econômico do Brasil, com a economia desacelerando com queda nos investimentos produtivos, na geração de empregos e no consumo de bens e serviços.
Os banqueiros se empenham em retardar o máximo possível o corte dos juros e na opinião deles, caso ocorra, deva ser a conta-gotas. Isso não é à toa, a Selic em 15% com a respectiva queda da inflação garante juros reais (descontada a inflação) superiores a 10%, uma das mais altas do mundo.
O BC divulgou nesta segunda-feira (26), através do Boletim Focus, que a expectativa de inflação voltou a cair, passando de 4,2% para 4%. A autarquia consulta mais de 150 instituições financeiras, nenhuma consulta é feita ao setor produtivo.
Após as oito reuniões do Copom, que serão realizadas neste ano, os bancos projetam que os juros continuem nas alturas e que a Selic encerre 2026 em 12,25%.
Enquanto no terceiro trimestre de 2025 a economia brasileira praticamente não andou, ao apresentar uma alta do PIB (Produto Interno Bruto) de 0,1% frente ao segundo trimestre no mesmo ano (0,3%), os 4 maiores bancos do Brasil – Itaú Unibanco (R$ 11,6 bilhões), Bradesco (R$ 6 bilhões), BTG (R$ 4,3 bilhões), Santander (R$ 4 bilhões) – apresentaram lucros polpudos, que juntos somam mais de R$ 25,9 bilhões no período.
No ranking dos lucros dos grandes bancos privados em 2025 (até o terceiro trimestre), o Itaú lidera com R$ 34,5 bilhões, seguido por Bradesco (R$ 18,2 bilhões), BTG (R$ 12,1 bilhões) e Santander (R$ 11,5 bilhões). Juntos, eles somam R$ 76,3 bilhões de lucro, no acumulado de nove meses até setembro de 2025.
No lado oposto dos bancos estão as empresas produtivas, que em meio à desaceleração econômica estão desistindo de investir ou tendo que pegar crédito caro para sustentar suas operações, como destaca o Superintendente de Economia da CNI, Márcio Guerra.
“As elevadas taxas de juros que a gente tem vivenciado têm empurrado as empresas a repensar seus investimentos e, ao mesmo tempo, a gente tem um crescimento ainda muito baixo”, críticou Guerra, em entrevista BandNews.
A CNI revelou na semana passada que 80% dos empresários da indústria culpam os juros elevados pela dificuldade de obter crédito de curto ou médio prazo no Brasil. “Precisa-se de crédito para poder investir, o investimento é desencorajado e o custo do capital é muito elevado no país”, ressaltou Márcio Guerra.
“O que a gente vê é uma situação em que a demanda não tem crescido. Precisa investir, a gente precisa de competitividade e o acordo Mercosul com a União Europeia vai exigir isso das empresas e, ao mesmo tempo, as empresas não estão tendo condições de investir na inovação e na ampliação da sua capacidade. Elas estão mostrando que o dia a dia da busca do crédito tem sido para manter boa parte, sobretudo nas pequenas e nas médias (isso é mais grave) para manter o capital de giro ali sustentando as suas operações”, comentou.
“O custo do capital está elevado para quem consome, para quem busca comprar”, lembrou o economista. “A população também sofre com essa taxa de juros e isso tem uma conexão direta com quem produz. Porque se não tem consumo, a produção também não vai crescer e, logicamente, não tendo a produção crescendo, as perspectivas de ampliação do parque industrial ficam muito desmotivadas”.
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