Privatização do Metrô do Recife é “improviso que agravará o caos”, denuncia o sindicato
Nesta quarta-feira (17), os governos federal e de Pernambuco anunciaram a assinatura de um acordo para “estadualizar” a administração do Metrô do Recife e, a partir disso, viabilizar um estudo para a privatização do sistema de transporte, ou seja, conceder à iniciativa privada.
Em nota, a categoria dos metroviários chamou o projeto previsto para o metrô do Recife de “improvisado” e afirmou que a estratégia “tende a agravar o caos” no sistema, que compõe o transporte urbano da capital pernambucana. Segundo o Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro-PE), não houve diálogo prévio com o grupo a respeito da ação.
A categoria criticou, ainda, as medidas previstas no acordo, o qual chamou de “proposta frágil, improvisada e equivocada”. Segundo o grupo, a estratégia do Ministro da Casa Civil, Rui Costa, não resolve os problemas do metrô, mas sim os agrava: “Tratar um sistema essencial como o metrô do Recife dessa forma é uma irresponsabilidade com a vida da população usuária”, comentou, na nota.
Por fim, a categoria afirmou que continuará “lutando por um sistema metro-ferroviário que garanta o ir e vir da população com segurança, sob o comando do governo federal e com tarifa zero”.
Segundo o Ministério das Cidades, serão investidos R$ 4 bilhões nos cinco primeiros anos de concessão, que terá um prazo de 30 anos. A pasta informou, ainda, que não haverá aumento de tarifa do metrô em 2026 e que os empregos dos trabalhadores da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) serão preservados.
O acordo de cooperação técnica foi assinado na terça-feira (16), durante um evento no Palácio do Planalto, em Brasília, com o presidente Lula (PT), o ministro das Cidades, Jader Filho (MDB), e a governadora Raquel Lyra (PSD). De acordo com a União, entre os principais investimentos previstos, está a aquisição de 18 novos trens e quatro Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs).
Segundo o governo federal, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) realizou um estudo para produzir o projeto de transferência dos ativos da CBTU para o governo estadual. O processo licitatório será acompanhado pelo Ministério das Cidades e pela Casa Civil.
O Sindmetro-PE afirma que, ao longo da última década, o serviço prestado pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU Recife) foi alvo de um processo contínuo de sucateamento. Entre os problemas apontados estão cortes orçamentários, má gestão administrativa e a nomeação de apadrinhados políticos sem qualificação técnica.
O sindicato também destaca a falta de valorização dos empregados concursados, que, segundo a entidade, detêm o conhecimento técnico necessário para operar e manter o sistema em funcionamento adequado.
Ainda, para o Sindmetro-PE, a decisão do Governo Lula representa um “erro político e administrativo histórico”. A entidade argumenta que transferir recursos públicos para a iniciativa privada compromete a fiscalização social e enfraquece o caráter público do serviço.
“Anunciar que passarão às mãos dos empresários o dinheiro do povo pernambucano é revoltante e imoral”, afirma o texto, ao defender que o investimento deveria permanecer sob gestão pública, com maior controle da sociedade e transparência na aplicação dos recursos.
O sindicato informou ainda que pretende adotar todas as medidas cabíveis para enfrentar a decisão e convocou a categoria para se manter mobilizada. Entre as principais preocupações estão a preservação dos empregos com vínculo federal e a garantia de um metrô público de qualidade para a população da Região Metropolitana do Recife.
De acordo com a direção executiva do Sindmetro-PE, os próximos passos do movimento serão definidos em conjunto com os trabalhadores, sob orientação da entidade sindical.
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