“Pelé Palestino” foi assassinado por tropas de Israel na fila da comida em Gaza

O ex-atacante da Seleção Palestina de futebol, Suleiman Al-Obeid, de 41 anos, apelidado de “Pelé Palestino”, foi assassinado pelas forças israelenses ao procurar comida para sua família.
Ele foi morto, na quarta-feira, 6, junto a outras pessoas que esperavam pela entrega de alimentos em um centro de distribuição de ajuda humanitária da GHF, no sul de Gaza, quando militares israelenses abriram fogo contra a multidão de famintos, comunicou a ‘Associação Palestina de Futebol’.
Al-Obeid era apelidado de “Pelé do futebol palestino”, ele também jogou no Al-Shati’a e representou a Seleção da Palestina 24 vezes, marcando 2 gols para seu time e em toda sua carreira de jogador marcou mais de 100 gols. Ele era famoso entre os palestinos fãs de futebol.
“O antigo jogador da seleção nacional e estrela da equipe Khadamat al-Shati, Suleiman Al-Obeid, foi martirizado depois de as forças de ocupação terem atacado aqueles que esperavam por ajuda humanitária no sul da Faixa de Gaza na quarta-feira,” comunicou a APF.
Al-Obeid nasceu em 24 de março de 1984, na cidade de Gaza e deixa sua esposa, dois filhos e três filhas, disse a APF.
A estrela do futebol europeu, Mohamed Salah, atacante egípcio do Liverpool, criticou a postagem da UEFA (União das Associações Europeias de Futebol) que lamentou a morte do jogador, mas sem mencionar as condições em que Al-Obeid foi morto.
“Adeus a Suleiman al-Obeid, o ‘Pelé palestino’. Um talento que deu esperança a inúmeras crianças, mesmo nos tempos mais sombrios,” disse a UEFA em postagem na rede social X.
“Você pode nos dizer como ele morreu, onde e por quê?”, rebateu Salah em uma postagem que atingiu mais de 840.000 interações. A recusa da UEFA em se quer mencionar o genocídio de Israel e as circunstâncias da morte de Al-Obeid atraiu mais de 9000 respostas e 26 milhões de visualizações.
Desde outubro de 2023, mais de 662 atletas palestinos foram mortos nos ataques de Israel. 321 trabalhavam com futebol, entre jogadores, técnicos, árbitros e administradores.
Designada como “armadilha mortal”, a GHF, ‘Gaza Humanitarian Foundation’ (Fundação Humanitária de Gaza) é uma ONG apoiada pelos governos dos EUA e de Israel. Deveria estar entregando ajuda humanitária à população palestina de Gaza que está sendo sistematicamente massacrada por Israel com apoio irrestrito dos EUA, mas seus locais de distribuição são onde muitos palestinos já encontraram a morte sob balas disparadas por tanques e rifles de soldados israelenses postados nos locais onde palestinos se concentram em busca de alimento.
Mais de 1400 palestinos foram mortos nas chacinas causadas por militares israelenses nesses centros de ajuda, desde que a GHF começou a operar em Gaza no final de março. Os assassinatos nestas armadilhas da morte e as crianças que estão morrendo, esquálidas, por desnutrição, fornecem imagens que remetem aos campos de concentração nazistas. Daí o assassinato de jornalistas, como o que vitimou Anas Al-Sharif, da Al Jazeera, que reportava da cidade de Gaza.
Fonte: Papiro