Marx afirmava que a luta de classes é a força motriz das transformações sociais. “A mobilização e a organização das massas trabalhadoras e do povo é a fonte principal do crescimento do Partido e força-motriz fundamental das mudanças” afirma nosso Programa.

          Segundo Lenin: “Apenas com a vanguarda é impossível triunfar. Lançar a vanguarda sozinha à batalha decisiva, quando toda a classe, quando as grandes massas ainda não adotaram uma posição de apoio direto a essa vanguarda ou, pelo menos, de neutralidade simpática, e não são totalmente incapazes de apoiar o adversário, seria não só uma estupidez, como um crime. E para que realmente toda a classe, para que realmente as grandes massas dos trabalhadores e dos oprimidos pelo capital cheguem a ocupar essa posição, a propaganda e a agitação, por si só são insuficientes. Para isso necessita-se da própria experiência política das massas. Tal é a lei fundamental de todas as revoluções.” (Esquerdismo Doença Infantil do Comunismo – Algumas conclusões)

          Já segundo Mao-Tse-tung: “Por muito ativo que seja o grupo dirigente, a sua atividade redur-se-á a um esforço infrutífero de um punhado de indivíduos se não for combinada com a atividade das grandes massas. Por outro lado, se apenas as grandes massas são ativas, e não há um forte grupo dirigente que organize adequadamente essa atividade, ela não poderá ser mantida por muito tempo, não poderá avançar na justa direção nem atingir um nível mais elevado.”

          A grande conclusão desses ensinamentos é que sem a participação das massas não teremos mudanças estruturais. Precisamos tirar consequência dessa afirmação e procurar os caminhos e os meios para despertar as massas proletárias e populares para que se tornem força material transformadora.  O grande desafio para o nosso Partido é fazer crescer sua influência de massa, ser considerado e reconhecido pelas massas como seu representante e portador da capacidade de dirigir seu processo de emancipação. Ainda estamos longe dessa realidade e podemos dizer que não estamos tendo êxito na tarefa de acumular força. Porquê? A vida tem demonstrado que através de eleições pouco acumulamos e elevamos nossa influência. De fato, esse é um campo minado em que as regras são feitas cada vez mais para beneficiar os representantes do capital e do atraso.

          Nossa dificuldade é que grande parte de nosso povo, apesar das enormes dificuldades em que vivem, ainda não vislumbraram o caminho da luta, não têm confiança em suas forças e nem se dão conta de que unicamente da luta depende a solução de seus problemas. Há setores populares que ainda se encontram apáticos, acreditam que seus sofrimentos resultam de uma fatalidade e aguardam pacientemente providências dos governantes. Ao mesmo tempo o apoliticismo desenvolvido pelos meios de comunicação e a costumeira prática oportunista da maioria dos políticos as desnorteiam. A tendência é não acreditar mais em nada e em ninguém e igualar todos. E ainda temos atualmente as big techs da vida, o movimento pentecostal e os crescentes instrumentos de dominação ideológica das massas.

O papel dos comunistas é despertar a consciência das massas, ajudá-las a compreender os responsáveis por suas dificuldades e que elas possuem uma gigantesca força que quando posta em movimento varrerá com toda a opressão, exploração e todas suas dificuldades.” (Resoluções do 6º Congresso do PCdoB)

Em toda nossa atividade não podemos perder de vista essa necessidade. Penso que o Partido perdeu a perspectiva de massa. Mesmo seu trabalho nos movimentos sociais priorizam a conquista e manutenção de espaços e entidades sem uma maior preocupação em como atingir as amplas massas. Vejam o exemplo do movimento de juventude que corretamente definimos como uma das áreas prioritárias de nosso trabalho. Dirigimos as principais entidades estudantis do país, mas não conseguimos alcançar nem de longe a grande massa desse segmento. São aproximadamente 70 milhões de estudantes que existem no Brasil. Como comparação, a população da Argentina é de 45 milhões de habitantes e do Chile 20 milhões. Só de estudantes temos mais de uma Argentina. Já imaginaram a força que podemos despertar?

E já tivemos exemplos de grandes movimentações e massa em nossa história. Em 1917 o movimento operário paralisou a cidade de São Paulo a ponto de o Governo ter de se retirar da cidade. O movimento dos “cara pintadas” e do “Fora Collor” mobilizaram milhares de jovens. Chegamos a ter Organizações de base no Rio com mais de 2 mil membros. Claro que podemos dizer que foi em outra época. Mas mostra a possibilidade. O MST não é uma experiência concreta e exitosa de mobilização e organização de massas?

Escrevi um artigo para essa tribuna de debates em que chamo a atenção para a necessidade de levar a luta pela soberania para o seio do povo. É aí que deve estar nossa grande preocupação porque sem o despertar das massas não criaremos as condições para realizar as reformas estruturais que o Partido propõe e o país necessita.

Infelizmente os governos do PT não atentaram e perderam grande oportunidade de contribuir na organização do povo. Vejam a diferença com o chavismo na Venezuela e um dos elementos fundamentais para a manutenção daquela experiência. Disse o Chaves em uma entrevista em que explica os avanços na revolução bolivariana: “O elemento fundamental é a organização do povo; eu o colocaria em primeiro lugar.”       E o Governo da Venezuela estimulou essa organização que cresceu em todo canto. São missões sociais, círculos bolivarianos, patrulhas eleitorais, incentivo aos meios alternativos de comunicação que fez brotar centenas de rádios e TVs comunitárias instrumentalizando o povo para a luta de ideias.

Claro que é importante dar casa, melhorar a educação e a saúde, mas não podemos perder de vista que o central para nós que temos uma perspectiva revolucionária é organizar e mobilizar as massas para que possam resistir aos inúmeros meios de exploração e espoliação e avançar em seu processo de libertação.

E nós temos os instrumentos que são nossas entidades de massa. CTB, UJS, UBM, UNEGRO, entre outras. É preciso que todas essas entidades desenvolvam campanhas de massa aumentando sua representatividade se transformando em referência para cada segmento que pretende representar. Parece que nossos quadros e militantes desaprenderam ou não aprenderam os meios e caminhos para mobilizar as massas e dinamizarem essas entidades que podem se tornar ponta de lança para fazer crescer nosso Partido e energizá-lo e aumentar sua influência de massa.

Esse deve ser um dos elementos essenciais de nossas preocupações e de nosso esforço. A Fundação Mauricio Grabois deveria realizar estudos e pesquisas sobre as experiências nacionais e internacionais de mobilizações e organizações de massa, de estudos sobre a psicologia de nosso povo e os meios e caminhos necessários para atingir e influenciar as massas. E a Escola do Partido poderia organizar cursos de formação de lideranças populares como um esforço para auxiliar nossa militância. E o mais importante, é preciso deslocar nosso esforço principal da área institucional para o movimento de massa.