“Prisão de estudante pró-Palestina é volta do macartismo”, afirma defesa de Khalil

“A detenção ilegal de Mahmoud Khalil fede a Macartismo”, declarou Donna Lieberman, diretora União pelas Liberdades Civis, seção Nova Iorque, em uma das inúmeras reações de repúdio à prisão do ativista solidário à Palestina e denunciante em manifestações do genocídio perpetrado por Netanyahu na Faixa de Gaza, por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega em seu apartamento dentro da Universidade Columbia, em Nova Iorque no sábado, dia 8.
“Está muito claro que o governo Trump está punindo de forma seletiva o senhor Khalil por expressar opiniões divergentes das aprovadas por sua pretensão de MAGA (sigla dos bonés de Trump, ‘Fazer América Grande Novamente) – o que é uma assustadora escalada contra o discurso pró-Palestina e um abuso agressivo das leis e órgãos de imigração”, acrescenta Lieberman.
A defensora dos direitos civis alerta que “arrancar um estudante de sua casa, desafiar seu status de imigrante legalizado e o detendo apenas com base em seu ponto de vista, vai inibir o discurso estudantil e de direito através dos campi. O discurso político nunca deve servir de base para punição ou levar à deportação”.
“A detenção de Khalil é um ataque extremo, retaliatório e direcionado contra seus direitos constitucionais”, finalizou.
Um dos advogados de Defesa de Khalil, Baher Azmy, denunciou que “O governo exacerba seus poderes ao deter pessoas com base em supostas e não comprovadas conexões com terrorismo. Neste caso, penso que é mais grave, pois nem mesmo este governo acusa ou sugere que há quaisquer ações conectadas ao Hamas, mas apenas que seu discurso é alinhado a ele. Eu digo que há clara comparação histórica com o pânico imposto pela ‘Ameaça Vermelha’ (perseguição anticomunista inaugurada com a vitória da Revolução Russa) e o Macartismo”.
A ação da Defesa, manifestações e atitude firme da esposa de Khalil, Noor Abdalla, cidadão norte-americana, grávida de oito meses, fizeram que um juiz de Nova Iorque bloqueasse a deportação de Mhmoud Khalil que vinha sendo ameaçada (incluindo a revogação de seu visto de permanência definitiva, o Green Card), pelo próprio Trump e seu secretário de Estado, Mark Rubio.
A proibição judicial de deportação segue vigente até o final do julgamento do caso, determinou o juiz, que também garantiu visitas de advogado e esposa em sua prisão localizada no Estado de Luisiana, em uma intenção clara de dificultar o acesso da Defesa a seu cliente.
No entanto, não foi concedida a soltura do estudante e nem mesmo que ele seja trazido de volta a Nova Iorque.
Enquanto isso, a perseguição se alastra. Foram afastadas do campus uma pesquisadora e uma estudante, da Universidade Yale. E a diretora da Universidade Columbia acaba de informar que agentes da Segurança Nacional realizaram buscas em dois apartamentos de estudantes dentro do campus.
Helyeh Doutaghi, vice-diretora de Direito e Economia Política em Yale (Foto divulgada em mídias sociais)
O próprio Trump tem dito que a detenção de Khalil é “a primeira de várias”.
A professora suspensa da Faculdade de Direito da Universidade de Yale é a iraniana Helyeh Doutaghia pesquisadora de Direito Internacional e destacada defensora dos direitos do povo palestino.
Em sua declaração, a professora denuncia que “as ações da Faculdade de Direito de Yale configuram um flagrante ato de retaliação contra a solidariedade aos palestinos. Eu estou sendo atingida por uma única razão: falar a verdade sobre o genocídio do povo palestino e que a Universidade de Yale tem sido cúmplice com ele. Esta Universidade tem se tornado um refúgio de uma ordem decadente, um império em declínio, que recorre à brutal repressão para tentar sufocar e quebrar aqueles que expõem sua forçada tentativa de hegemonia”.
Fonte: Papiro