Groenlandeses protestam contra provocação de Washington | Foto: TRT

O primeiro-ministro da Groenlândia, Mute B. Egede, reagiu ao anúncio, por Washington, de que a segunda-dama Usha Vance, o conselheiro de Segurança Nacional Michael Waltz e o secretário de Estado Marco Rubio irão “visitar” na quinta-feira (27) a maior ilha do mundo, no Ártico, que tem grandes riquezas minerais e faz parte da Dinamarca, em novo episódio das investidas do presidente Trump para anexá-la – “comprar”, ele alega.

Egede descreveu a incursão como parte da “pressão americana muito agressiva” destinada a “dominar nosso país sobre nossas cabeças” em entrevista ao jornal local Sermitsiaq no domingo.

Ele também criticou os países da União Europeia – de que a Dinamarca faz parte -, assinalando que “nossos aliados na comunidade internacional sentem vontade de se esconder em um pequeno canto e quase sussurram seu apoio, o que não tem efeito”.

Jens-Frederik Nielsen, líder do partido Demokraatit, que recentemente venceu as eleições parlamentares, descreveu o agendamento da visita durante as negociações da coalizão que governará a ilha como um gesto de “desrespeito”.

Na semana passada, todos os cinco partidos com representação no parlamento groenlandês assinaram uma nota conjunta repudiando a anexação ameaçada por Trump. “Nós, todos os líderes partidários, não podemos aceitar as repetidas declarações sobre anexação e controle da Groenlândia”.

Egede sublinhou que “nosso país nunca será EUA, nem nós groenlandeses nunca seremos americanos. Groenlândia é um só país, estamos unidos”. A ilha tem um status de autonomia dentro da Dinamarca e poderá se tornar futuramente independente.

Também a Dinamarca refutou as pretensões de Trump, acrescentando que a cooperação de Copenhague com os EUA está condicionada às “regras fundamentais da soberania” e que a Groenlândia “não está à venda”.

No seu primeiro discurso anual ao Congresso dos EUA, Trump disse que os EUA iriam controlar a Groenlândia “de um jeito ou outro”.

Segundo comunicado do escritório da segunda-dama, ela “viajará para a Groenlândia com seu filho e uma delegação de funcionários para explorar locais históricos e observar uma corrida de cães”. Os participantes “estão entusiasmados em testemunhar esta corrida monumental e celebrar a cultura e a unidade da Groenlândia”, acrescentou. Haverá uma visita à Base Pituffik do Pentágono. Também está escalado para a turnê o secretário de Energia Chris Wright.

Em janeiro, outra investida do alto escalão à Groenlândia incluiu o filho de Trump, Donald Jr. Em fevereiro, o vice Vance repercutiu as ameaças do chefe, dizendo que se os interesses americanos exigem ter “mais interesse territorial na Groenlândia, é isso que o presidente Trump vai fazer, porque ele não se importa com o que os europeus gritam para nós”. (E, claro, nem com a lei internacional ou a soberania).

Nesse segundo mandato, Trump já ameaçou anexar o Canadá como “51º estado”, o canal do Panamá, a Groenlândia e até Gaza, no caso para reerguer sua “Riviera sobre cadáveres”, a Trump Gaza.

A propósito, a “compra” da Groenlândia já fora colocada no menu no primeiro mandato de Trump. Ele chegou até mesmo a cancelar em 2019 uma visita a Copenhague, após a então primeira-ministra dinamarquesa repelir a “proposta”.

Diante dos protestos dos groenlandeses e de Copenhague, na segunda-feira cinicamente Trump disse que a visita da delegação americana à Groenlândia é “amizade, não provocação”, alegando que “pessoas” na ilha estão “nos ligando” e “nós não estamos ligando para elas”.

“Estamos lidando com muitas pessoas da Groenlândia que gostariam de ver algo acontecer com relação a elas serem adequadamente protegidas e devidamente cuidadas”, destacou o presidente a repórteres após uma reunião com seu gabinete, enaltecendo o padrão Al Capone de “proteção”.

“Acho que a Groenlândia será algo que talvez esteja em nosso futuro. Eles estão nos ligando. Nós não estamos ligando para eles. E fomos convidados para lá”, mentiu descaradamente.

Fonte: Papiro