Calin Georgescu: “A Romênia está sob tirania” | Foto: Xinhua/Cristian Cristel

O Bureau Eleitoral Central (BEC) em Bucareste rejeitou no domingo (9) à noite a participação do candidato favoritíssimo ao pleito presidencial da Romênia, Calin Georgescu, por considerar sua participação “antidemocrática” e “extremista”.

Alegando questões desrespeitosas de “forma e substância” da candidatura oposicionista, dez dos 14 membros do tribunal consideraram que Georgescu “falhou em cumprir as regras do procedimento eleitoral, violando a própria obrigação de defender a democracia”.

Crítico veemente da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e do posicionamento da União Europeia (UE), Georgescu é contrário a continuar abastecendo de armas e recursos a Ucrânia, e considera a postura do BEC “um golpe direto no coração da democracia mundial”. “Tenho uma mensagem para deixar! Se a democracia na Romênia cair, todo o mundo democrático cairá! Isso é só o começo. É simples assim! A Europa agora é uma ditadura; a Romênia está sob tirania!”, sublinhou.

Diante da arbitrariedade, apoiadores do líder oposicionista – que detém entre 40% e 45% nas pesquisas eleitorais – se concentraram ao redor do BEC, onde foram reprimidos com gás lacrimogêneo e spray de pimenta por policiais.

Em novembro passado, Georgescu virou manchete ao obter uma vitória surpreendente no primeiro turno da eleição presidencial, recebendo 23% dos votos. Contrário à fórmula de submissão à UE e à Otan o resultado foi imediatamente anulado pelo Tribunal Constitucional, completamente viciado, sob a alegação desde “irregularidades” na campanha oposicionista até supostos relatórios de interferência russa.

No entanto, uma investigação descobriu que as ilegalidades decorreram de uma empresa de consultoria associada ao Partido Liberal Nacional (PNL), pró-Ocidente no poder, que tentou retirar Georgescu, mas acabou por alavancar o oposicionista.

Em sua campanha pró-governo, a mídia romena também noticiou que Georgescu era suspeito de violar as leis de financiamento de campanha, mentindo sobre supostas doações empresariais.

No mês passado, o líder oposicionista já havia sido preso, acusado de “promover ideologias fascistas, racistas ou xenófobas” e tramar “atos anticonstitucionais”. Ao rejeitar todas e cada uma das acusações como politicamente motivadas, ele esclareceu que foram forjadas pelo “Estado profundo”.

Da mesma forma, a Rússia negou qualquer tentativa de manipular as eleições na Romênia. “Nós rejeitamos repetidamente essas especulações infundadas e estamos afirmando novamente: a Rússia não tem o hábito de se intrometer nos assuntos dos outros”, assinalou Maria Zakhharova, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.

Fonte: Papiro