Em visita a Kursk, Putin afirma que cessar-fogo é ardil para rearmar Kiev

Em visita surpresa à região de Kursk, parcialmente ocupada por tropas do regime de Kiev, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, conclamou os soldados a acelerarem a “libertação completa” com o fim da invasão ucraniana.
Putin anunciou nesta quinta-feira (13) a retomada da maior cidade de Kursk, região russa na fronteira com a Ucrânia que estava sendo ocupada por tropas de Kiev desde agosto de 2024.
“Pessoas que estão na região de Kursk, que cometem crimes contra civis aqui, que se opõem às nossas forças armadas, agências de segurança pública e serviços especiais, são pessoas que certamente deveríamos tratar como terroristas”, disse o líder russo.
A visita aconteceu um dia após as negociações entre delegações dos EUA e da Ucrânia, após a qual Kiev falou em cessar-fogo de 30 dias apoiado pelos EUA e visto com restrições por Moscou pois não se trata de abrir negociações de paz e sim dar tempo para as tropas ucranianas se organizarem e rearmarem, com Washington já prometendo retomar o envio de armas a Kiev.
Putin frisou que a retomada em Kursk já superou 86% do território invadido, fazendo as forças do regime nazista de Kiev baterem em retirada e com o restante prestes a ser cercado pela defesa russa. O líder russo previu que Kursk deve ser “completamente liberta do inimigo em um futuro próximo”, e mencionou a futura criação de uma zona de segurança ao longo da fronteira da região.
Repetidas vezes o presidente russo já havia descartado a possibilidade de firmar um cessar-fogo temporário, observando a necessidade de “eliminar as causas fundamentais da crise”. No início de 2025, afirmou: “Gostaria de enfatizar mais uma vez que o objetivo não deve ser uma breve trégua, nem algum tipo de trégua para o reagrupamento de forças e rearmamento a fim de continuar o conflito, mas uma paz de longo prazo com base no respeito aos interesses legítimos de todas as pessoas, de todos os povos que vivem nessa região”.
Do mesmo modo, já em dezembro de 2024, o presidente alertou que uma pausa nos combates permitiria que o lado ucraniano utilizasse esse período para treinar e preparar os soldados de seu Exército.
A atual declaração vem depois da reunião na Arábia Saudita, na terça-feira (11), em que os EUA anunciaram que retomarão o compartilhamento de informações de inteligência e assistência de segurança à Ucrânia. Além disso, os dois países concordaram em concluir o mais rápido possível um acordo para a exploração dos recursos minerais dessa região, riquezas que estão na mira de Donald Trump.
“Estamos acompanhando de perto a reunião entre os representantes dos Estados Unidos e da Ucrânia que ocorreu em 11 de março em Jeddah. Lemos a declaração adotada como resultado do encontro, que contém várias ideias. […] Estaremos prontos para discutir as iniciativas apresentadas durante futuros contatos com o lado americano”, afirmou pela porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, em coletiva de imprensa, nesta quinta-feira (13).
Fonte: Papiro