Ataque de drones de Kiev contra Moscou é tentativa de frustrar solução pacífica, diz Kremlin

O ataque de drones lançado pelo regime de Kiev contra Moscou na manhã de terça-feira (11) foi uma tentativa de frustrar a crescente possibilidade de uma solução pacífica para o conflito ucraniano, afirmou Dmitry Peskov, porta-voz do presidente russo Vladimir Putin.
O ataque aconteceu horas antes da reunião na Arábia Saudita entre a Ucrânia e os Estados Unidos, sobre negociações de paz, e quando o secretário-geral da Organização pela Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), Feridun Sinirlioglu, se encontra em Moscou em visita.
“Ainda não há negociações. Enquanto isso, os americanos, em suas próprias palavras, estão tentando entender até que ponto a Ucrânia está pronta para negociações de paz. Ainda não há negociações, portanto, não há nada para perturbar por enquanto. Mas é verdade que a tendência inicial pode ser significativamente prejudicada”, disse o porta-voz do Kremlin.
Foi o maior ataque contra a capital russa nos três anos da guerra, segundo o prefeito Sergei Sobyanin, e causou três mortos e 17 feridos. Quatro aeroportos chegaram a ficar fechados por algumas horas. A Rússia anunciou que abateu 343 drones em várias regiões do país e denunciou ataque dirigido contra a usina nuclear de Kursk, que foi detido.
O governador da região de Moscou, Andrei Vorobyov, denunciou o bombardeio ucraniano em postagem no Telegram: “Hoje, às 4 da manhã, começou um ataque massivo de drones a Moscou e região”.
O prefeito de Moscou afirmou ainda que equipes de emergência trabalham nos locais atingidos pelos drones. Veículos de comunicação russos divulgaram em redes sociais imagens de prédios residenciais atingidos pela queda de drones, com janelas quebradas e buracos em telhados.
Segundo o Ministério de Defesa russo, as regiões afetadas pelo ataque incluem, além de Moscou, Kursk, Belgorod, Bryansk e Voronezh, na fronteira com a Ucrânia, e áreas mais distantes, como Kaluga, Lipetsk, Nizhny Novgorod, Oryol e Ryazan.
Os drones foram lançados das regiões de Dnepropetrovsk, Sumy e Chernihiv, registrou a agência de notícias RIA Novosti. A infraestrutura ferroviária na estação de trem no distrito de Domodedovo, a cerca de 35 km ao sul de Moscou, foi danificada.
Vídeos nas redes sociais mostraram incêndios em Moscou provocados pelos ataques. Segundo o jornal Kommersant, o ataque envolveu veículos aéreos não tripulados do tipo Lyuty, que, além de explosivos, transportavam elementos impactantes na forma de rolamentos de esferas.
“O ataque de drones ucranianos à Rússia é um ato de terrorismo”, afirmou ao jornal Vzglyad o Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da Federação Russa, Konstantin Dolgov, que citou o uso de esferas de rolamento espalhadas pelas explosões para causar mais vítimas. “Foi direcionado contra civis, contra cada um de nós”.
Dolgov observou que não apenas Volodymyr Zelensky ou as Forças Armadas Ucranianas estão envolvidos no crime da Ucrânia, mas também países ocidentais que apoiam o regime de Kiev. “As mortes de pessoas estão na consciência de Emmanuel Macron, Keir Starmer, da liderança da Alemanha, dos países bálticos e da Polônia, já que o inimigo está usando dados de inteligência ocidentais e está agindo com a permissão de seus curadores”, explicou o diplomata.
Na reunião com o secretário-geral da OSCE, o ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, disse que a Rússia espera que Sinirlioglu utilize sua experiência e sabedoria para tentar restaurar os princípios da organização, “solenemente proclamados em diversas cúpulas e declarações”, e que, segundo ele, são fundamentais para a Europa neste momento.
“Todos os objetivos originais da criação da organização e os princípios nos quais ela se baseia, que foram acordados por consenso, estão agora sendo grosseiramente violados e ignorados”, disse Lavrov nesta terça-feira (11).
A OSCE foi criada em 1975 na Conferência de Helsinki, no auge da Guerra Fria, estabelecendo referenciais para a segurança e a cooperação na Europa. Sob o mundo unipolar de Washington, foi sendo esvaziada paulatinamente, mas ainda tem um papel a cumprir, ainda mais sob a histeria rearmamentista que corre o velho continente.
Em Jeddah, o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o Conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Mike Waltz, mantiveram conversas com os chefes dos Ministérios das Relações Exteriores e da Defesa da Ucrânia, Andriy Sybiga e Rustem Umerov, bem como com o chefe do gabinete de Zelensky, Andriy Yermak.
Sobre as negociações de Jeddah, Waltz disse à CNN que “estamos progredindo”. A última visita de Zelensky à Casa Branca acabou em um bate-boca, diante da recusa do presidente de mandato vencido a qualquer esforço pela paz, após Trump dizer a ele que a guerra estava perdida. Após isso, Trump suspendeu a entrega de armas a Kiev.
Fonte: Papiro