Alckmin defende que Brasil mantenha boas relações com EUA e China

Em meio ao tarifaço e às arestas que Donald Trump vem criando em relação a outras nações, o presidente em exercício e ministro Geraldo Alckmin defendeu que o Brasil deve manter boas relações tanto com EUA quanto com a China e reforçou a importância do multilateralismo no cenário atual.
“Os Estados Unidos e a China são grandes parceiros do Brasil. A China é o maior comprador do Brasil, é para quem a gente mais exporta, e os Estados Unidos, o maior investidor no Brasil. Nós temos mais de três mil empresas americanas no Brasil, então a nossa disposição é de defender o multilateralismo, o livre comércio. Podemos avançar, essa é a disposição brasileira”, afirmou.
Esses e outros assuntos foram tratados por Alckmin durante o evento “Rumos 2025”, realizado pelo jornal Valor Econômico, nesta segunda-feira (24). O vice está à frente da Presidência durante a viagem de Lula ao Japão e Vietnã.
No que diz respeito às negociações com os EUA, Alckmin explicou que o Brasil tem apostado numa saída em que ambos os lados saiam ganhando e deve aproveitar as oportunidades atuais para poder ampliar seu comércio exterior.
Além disso, ressaltou a importância de fortalecer ainda mais o Mercosul e do acordo comercial recentemente fechado com a União Europeia. “O comércio exterior é fundamental. Nós no MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) estamos trabalhando uma indústria mais inovadora, mais sustentável, mais competitiva e mais exportadora. Então é conquistar mercado, essa é a nossa tarefa”, argumentou.
Crise climática e alimentos
Alckmin também falou do papel central que o Brasil ocupa na área ambiental, sobretudo em tempos de crise climática. “Somos hoje o grande protagonista na segurança alimentar, na segurança energética e energia limpa com inúmeras oportunidades. E o grande protagonista na questão climática. Temos a maior floresta tropical do mundo e mudou a postura do Brasil, que era não combater o desmatamento, para uma ação firme de combate ao desmatamento”, apontou.
Nesse sentido, presidente em exercício elencou algumas das iniciativas tomadas pelo governo — entre os quais o programa Mobilidade Verde (Mover), que atraiu R$ 130 bilhões em recursos, o Fundo do Clima e o Fundo Amazônia.
Outro destaque apresentado foi a realização da COP30 no Brasil, em novembro. “A COP pode ser uma mudança desafiante, mas é uma mudança importante. E o Brasil apresentou as suas NDCs (Contribuição Nacionalmente Determinada) na COP de Baku, lá no Azerbaijão, na COP29. Eu representei o Brasil lá. Redução de emissão de gás de efeito estufa, entre 59% e 67%, até 2035. Ela é ousada, mas ela é factível”, explicou.
Preços dos alimentos
Sobre a questão dos preços dos alimentos, o presidente em exercício explicou que o aumento recente foi causado por diversos fatores, como a seca e a alta do dólar, mas que há uma expectativa positiva para este ano.
Além do imposto zero para diversos alimentos, Alckmin mencionou o fortalecimento do estoque da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), fundamental para equilibrar os preços, afirmou que a tendência é de queda nos valores e que o país precisa estar preparado para lidar com a influência das mudanças climáticas na produção alimentar.
“Cada vez mais nós vamos ter oscilação do clima. Então, quando a safra é muito grande, procura armazenar um pouco, fazer o estoque regulador. Lá na frente, quando faltar, você coloca esse estoque regulador para evitar grandes oscilações”, destacou.
Com agências
(PL)