Soldado russo na guarda da usina nuclear de Zaporozhia (Andrei Borodulin/AFP)

Era de fabricação norte-americana o drone com explosivos que voava na direção do depósito de combustível nuclear e foi abatido pelas forças russas estacionadas na usina nuclear de Zaporozhia.

O drone, denominado de kamikaze por causa da intenção de atirá-lo contra o alvo, foi derrubado na segunda-feira (29), conforme informou o chefe da administração regional, Evgueni Balitskii.

“Recolhemos os destroços, estabelecemos sua origem. Os militares afirmam que é um drone kamikaze de origem norte-americana”, explicou.

O drone explodiu no telhado de um prédio da usina, sem causar vítimas.

Localizada no rio Dnieper, a usina nuclear de Zaporozhia, a maior da Europa e que abastece energia a quatro milhões de residências, é controlada pelas forças russas desde março passado.

As forças ucranianas lançaram mais de 60 ataques contra a cidade de Energodar, bem como contra Zaporozhia e seus territórios adjacentes na véspera da chegada da missão especial da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), a provocação com intuito claro de intimidar a missão da agência da ONU foi denunciado pela administração cívico-militar da cidade.

As autoridades provisórias especificaram que as ofensivas foram realizadas com o uso de peças de artilharia com projéteis explosivos e drones lançados desde a cidade de Márganets.

Em particular, 57 ataques de artilharia foram registrados no território da usina nuclear, um deles contra o centro de treinamento da usina com a ajuda de um veículo aéreo não tripulado. Outro impacto foi registrado próximo à entrada central da instalação de armazenamento de resíduos radioativos sólidos.

Desde a Administração de Energodar garantem que os ataques não deixaram feridos e que o fundo radioativo é normal.

Horas depois, a administração reportou mais 23 impactos de artilharia na zona costeira da cidade e nas imediações da central nuclear. Dados preliminares apontam que as tropas ucranianas usaram obuses M777 fabricados nos EUA.

MISSÃO DA AIEA CHEGA À USINA

Enquanto isso, o comboio de veículos em que viajam os 14 especialistas da AIEA, chefiados pelo diretor-geral Rafael Mariano Grossi, partiu de Kiev na quarta-feira e já chegou na usina.

Falando à imprensa na capital ucraniana, Grossi disse que estão cientes de irem a uma zona de combate, algo que “requer garantias explícitas, não apenas da Rússia, mas também da Ucrânia”. “Conseguimos garantir isso”, disse ele.

“Tudo o que é necessário está sendo feito pelo lado russo para garantir que a missão da AIEA à usina nuclear de Zaporozhia, planejada há alguns meses e liderada pelo chefe da AIEA, Rafael Grossi, finalmente ocorra, seja segura e cumpra todas as suas tarefas”, disse a representante oficial da chancelaria russa Maria Zakharova a jornalistas em um briefing.

A missão da agência nuclear da ONU deve passar “alguns dias” na usina para avaliar “situações reais”.

Entre quinta e sexta-feira, a usina e seus seis reatores de 1.000 megawatts cada foram completamente desconectados da rede nacional devido a danos nas linhas de energia, antes de serem reconectados e religados.

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