Sessão de votação do referendo na República de Lugansk, no sábado 24. (Sputnik/Konstantin Mikhalchevsky)

Apesar dos bombardeios das forças ucranianas contra as cidades do Donbass, as Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk, bem como as regiões de Kherson e Zaporizhia, libertadas pelas tropas russas do domínio das milícias neonazistas, realizaram no sábado (24) o segundo dia do referendo sobre integração à Rússia.

Os atentados no centro da cidade de Donetsk, capital da República Popular de mesmo nome, mataram pelo menos uma pessoa e feriram outras três, mas não abateram a determinação da população que tem comparecido aos centros de votação. O presidente Denis Pushilin reafirmou que os centros de votação de todas as regiões permanecerão abertos até a próxima terça-feira (27).

“A realização do referendo é um marco histórico, tanto porque temos a certeza de que dará um resultado positivo, quanto porque é o culminar do difícil caminho que percorremos”, afirmou Pushilin. O presidente informou que foi um percurso de superações rumo à conquista da democracia e da soberania: “primeiro nos tornamos um estado independente, depois conquistamos o seu reconhecimento e agora estamos dando o terceiro passo, o da integração com a Rússia”.

Presente à região de fronteira com a Ucrânia, a repórter brasileira Vanessa Martina Silva, da ComunicaSul, informou que tem ouvido inúmeras denúncias de atropelos aos direitos humanos por parte das tropas do governo de Zelensky. Em visita a campos de refugiados ucranianos na Rússia, Vanessa disse que pôde comprovar, por serem testemunhas vivas, a firme oposição ao regime de Kiev e a identificação como russos. “Os ucranianos que têm passaporte ou documento comprovando a sua nacionalidade também podem votar nos campos de refugiados e estão se manifestando livremente. Há esta compreensão de luta pela integração e pela paz”, destacou.

O presidente russo, Vladimir Putin, defendeu na última quarta-feira (21) a relevância de que os povos das regiões libertadas expressem sua vontade de aprovar ou não unificação com a Rússia.

A presidente do Senado russo, Valentina Matvienko, se comprometeu que uma vez aprovado o “sim”, esses territórios serão rapidamente incorporados, conforme seu desejo. “Se eles decidirem fazer parte da Rússia, federar na Rússia, não haverá atraso de nossa parte”, ressaltou Matvienko.

Já no primeiro dia, o plebiscito nas repúblicas de Lugansk e Donetsk alcançaram respectivamente 21,97% e 23,64% de participação, com a região de Zaporizhia e Kherson atingindo 20,52% e 15,31%.

Lugansk e Donetsk declararam sua independência da Ucrânia em 2014 após realizarem referendos de autodeterminação. A decisão foi motivada pelo golpe de Estado em Kiev alguns meses antes e que resultou numa intensa perseguição do regime aos ucranianos falantes da língua russa, vítimas de uma política de “limpeza étnica” executada por milícias nazistas e tropas de Kiev durante 8 anos. Em 24 fevereiro deste ano, reconhecendo os dois estados soberanos e respondendo aos pedidos de ajuda das duas repúblicas, a Rússia lançou a operação militar especial na Ucrânia, com objetivos de “desnazificar e desarmar” o regime de Kiev e parar sua política genocida no Donbass.

Papiro