Brasil, domingo, 30 de abril de 2017
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Desafios das mulheres são foco de debate dias 19 e 20 no Rio

Começa nesta sexta e vai até sábado, dias 19 e 20, seminário Os 100 anos do 8 de março. O local da abertura do evento foi transferido e as atividades dos dois dias ocorrerão no Rio’s Presidente Hotel, na capital fluminense. O evento é uma realização da Fundação Maurício Grabois, da Secretaria da Mulher do PCdoB e do Fórum Permanente do PCdoB sobre a Questão da Mulher.
As expectativas dos organizadores, de reunir cerca de 100 pessoas, foram ultrapassadas e são esperados mais de 250 participantes. Na avaliação de Liége Rocha, secretária da Mulher do PCdoB, essa alta participação é essencial, dado que o seminário tem um caráter que vai muito além da comemoração dos 100 anos do Dia Internacional da Mulher. “Sua temática tem ligação direta com a política do PCdoB para as mulheres e seu foco está no debate sobre como avançar para superar a subestimação da luta emancipacionista”.

As mesas foram pensadas para refletir essa necessidade e têm como tema o 8 de março e a luta pelo socialismo; as conquistas e desafios da mulher no mercado de trabalho e as mulheres nos espaços de poder.

No que diz respeito ao trabalho, Liége lembra que foram muitos os avanços já alcançados. “Isso foi uma conquista gradativa e hoje já somos cerca de 50% do mercado. Mesmo havendo certa ‘guetização’ das mulheres, de maneira que elas não ocupavam certos espaços tidos como masculinos, já assistimos hoje a uma maior diversificação em suas atividades”.

Ela também lembra que se antes o homem era visto como único provedor e chefe de família possível, hoje elas “têm maior autonomia econômica e já assumem esse papel com maestria”.

Mas, reconhece que “por outro lado ainda há enormes desafios a serem enfrentados para se chegar a salários equiparados com os dos homens e à diminuição da precarização do trabalho feminino”.

As mulheres e o poder

Quando o assunto é as mulheres na política, Liége enfatiza que “num ano com disputas eleitorais tão importantes – quando podemos chegar a ter a primeira presidente da história do país – ainda estamos numa posição muito ruim nos espaços de poder”. No ranking mundial, o Brasil é o 107º colocado entre 187 países. Entre as Américas, o país fica na frente apenas da Colômbia, do Haiti e de Belize. Reflexo disso é que apenas 9% dos parlamentares na Câmara são mulheres.

Segundo Liége, “apesar do avanço que foi a criação da lei de cotas, conseguimos muito pouco no que tange à superação dessa sub-representação feminina”, o que tem sido mote para campanhas variadas, entre elas as encabeçadas pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, ligada à Presidência da República.

A cota em questão é uma das três conquistas das mulheres que figuraram na mini-reforma política. Essas vitórias garantem que ao menos 30% dos candidatos a cargos legislativos sejam mulheres, que 10% dos programas partidários tenham mulheres e que 5% do fundo partidário seja direcionado à formação e capacitação feminina para a política.

Ampliar e consolidar a participação das mulheres na política tem sido um dos objetivos do Fórum Nacional de Instâncias de Mulheres de Partidos Políticos, do qual Liége faz parte representando o PCdoB. Em breve, ele estará lançando cartilha com orientações para que estas conquistas sejam postas em prática.

Além disso, o Fórum elaborou plataforma para ser levadas a todos os níveis de candidaturas a serem disputadas neste ano. “É um trabalho que tem duas características: educativa, porque indica quais são as obrigações de cada instância de poder e da administração pública para com as mulheres; e reivindicativa, porque abre espaço para que os candidatos conheçam e adotem as bandeiras femininas em sua campanha e em sua atuação depois de eleitos”.

Liége chama atenção para a situação das mulheres negras. “Se a sub-representação feminina é grande, a das mulheres negras é ainda mais grave. Queremos ouvir a experiência de Edna Roland, Coordenadora de Igualdade Social da Prefeitura de Guarulhos (SP) e que há anos acumula experiência na área”.

Com este evento, finaliza Liége, “esperamos contribuir com a discussão e aprofundamento desses temas e ajudar as mulheres a ter uma participação mais intensa já a partir destas eleições, com a força e a garra que lhe são de costume”.

Veja aqui a programação e o endereço do seminário.

Da redação

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