Brasil, quarta-feira, 26 de abril de 2017
Fundação Maurício Grabois
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Respostas às perguntas mais freqüentes

Aqui você encontra respostas para as principais dúvidas sobre as posições do PCdoB em relação a diversos assuntos

  1. Por que o Partido teve que se reorganizar em 1962?
    Em 18 de fevereiro de 1962, sob a direção de João Amazonas, Maurício Grabois, Pedro Pomar, Lincoln Oest, Carlos Danielli e Elza Monnerat, dentre outros, realizou-se a Conferência Extraordinária que reorganizou o Partido Comunista do Brasil. O rompimento com os seguidores do rumo que levou a URSS de volta ao capitalismo é um acontecimento de importância histórica. O jornal A Classe Operária, retomando as tradições comunistas, afirmou em editorial de agosto de 1962: "As forças revolucionárias, ao mesmo tempo em que lutam por um governo popular revolucionário, têm o dever de organizar a luta do povo, as ações de massas contra a carestia de vida, pela reforma agrária radical, pela solução dos problemas de abastecimento, pelas liberdades". Em julho de 1963 publicou o documento Resposta a Kruschev, onde desmascara o caminho de traição ao socialismo adotado pelos novos governantes soviéticos e seus seguidores e faz fundamentada defesa da reorganização do Partido Comunista do Brasil, que passou a ser conhecido pela sigla PCdoB.

    Desde a reorganização, em 1962, o PCdoB vem se firmando como corrente marxista-leninista. Aprofunda a crítica e a autocrítica dos erros e dos desvios do passado. Os 6º e 7º congressos do Partido assinalaram avanços na formulação de uma linha política correta revolucionária. O 8º Congresso promoveu o salto decisivo: "O Partido que somos e queremos ser - assinala o Informe ao Congresso - é diferente das organizações liberais ou reformistas burguesas e pequeno-burguesas. Somos um partido de classe, de feição proletário-revolucionária." Vale dizer, diferente principalmente no conteúdo, nas concepções que defende. O Partido propaga as concepções do proletariado revolucionário que objetivam a transformação radical da sociedade. Fechar
  2. Quais são as diferenças entre o PCdoB e o PCB?
    O Partido Comunista do Brasil e o Partido Comunista Brasileiro, assim diferenciados, coexistem desde 1962.Um exemplo de diferença entre esses partidos sob o aspecto político: o PCdoB travou a luta armada contra a ditadura militar que se implantou no Brasil a partir de 1964, tendo organizado a Guerrilha do Araguaia. O PCB criticou o caminho armado como forma de luta oposicionista contra a ditadura militar. Um exemplo do aspecto ideológico: o PCdoB criticava a política desenvolvida pela URSS após a tomada do poder por Nikita Kruschev, que era abertamente defendida pelo PCB.

    Quanto aos aspectos históricos: O Partido Comunista do Brasil foi fundado em 25 de março de 1922, como seção da Internacional Comunista. No final dos anos 50, uma parte da direção, liderada por Luis Carlos Prestes, mudou o nome do Partido para Partido Comunista Brasileiro (PCB), tirou de seus estatutos a referência ao internacionalismo proletário e à revolução socialista. Em resposta, um grupo de 100 comunistas, liderado por João Amazonas, Maurício Grabois e Pedro Pomar, reorganizou em 18 de fevereiro de 1962 o Partido Comunista do Brasil, e passou a adotar a sigla PCdoB (para diferenciar-se da sigla PCB).

    O PCB ficou conhecido como "partidão", por ter ficado com a maioria do partido em 1962. Nos anos seguintes, esse partido sofreu várias divisões (saíram, dentre outros, o próprio Prestes), a última das quais deu origem ao PPS, que atualmente participa da base de apoio parlamentar ao governo de Fernando Henrique Cardoso. Os remanescentes do PCB fazem oposição ao governo de FHC. Fechar
  3. Quais são as diferenças entre o PCdoB e o PT?
    O Partido Comunista do Brasil e o Partido dos Trabalhadores há vários anos desenvolvem trabalhos conjuntos e realizam coligações – até mesmo por três vezes, para as eleições presidenciais. O PT surgiu no final da ditadura militar, em 1980 (seu Manifesto foi publicado no Diário Oficial da União em 21 de outubro de 1980), quando ainda não havia liberdade plena para a organização de partidos políticos e os comunistas eram mantidos na ilegalidade.

    O PCdoB defende um programa socialista para o Brasil. O PT compromete-se com a luta socialista (o assunto está em discussão dentro do partido), mas não tem um programa ou definição do que entende por socialismo.

    O PCdoB defende o marxismo-leninismo, a ciência social fundada por Marx e Engels e desenvolvida por Lenin. Em sua organização, pauta-se pela teoria leninista de partido, que não admite grupos ou tendências internas formais. O PT declara-se não marxista e opõe-se à concepção leninista de partido, permitindo a coexistência de várias tendências e grupos sob a sua legenda.

    As diferenças existentes não impedem a atuação política conjunta. O PCdoB defende a formação de uma ampla frente democrática, popular e progressista para enfrentar o neoliberalismo, construir um novo rumo para o Brasil – e avançar na luta pelo socialismo. Uma frente que envolva vários partidos, incluindo PT, PCdoB, PSB e PDT, que são signatários do Manifesto em Defesa do Brasil, da Democracia e do Trabalho, no qual é apresentado um amplo projeto de mudança para o país. Fechar
  4. O que foi a guerrilha do Araguaia?
    Foi uma grande epopéia de luta pela liberdade e pela democracia em nossa pátria. A Guerrilha do Araguaia ocorreu no início da década de 70. Uma batalha desigual entre combatentes revolucionários e as forças de repressão do regime reacionário imposto ao país com o golpe de 1964. Mesmo atualmente é difícil conseguir informações sobre o confronto ocorrido no Sul do Pará a partir de um ataque do Exército em 12 de abril de 1972 – "o único movimento rural armado contra o regime militar - cujo combate mobilizou o maior número de tropas brasileiras desde a II Guerra Mundial", conforme uma série de reportagens publicada por O Globo entre abril e maio de 1996.

    A Guerrilha do Araguaia só foi oficialmente reconhecida mais de vinte anos depois de ocorrida, quando foram revelados extratos de um relatório militar comprovando a morte de dois guerrilheiros, Idalísio Aranha Filho e Bergson Furjão de Farias, em dezembro de 1992. O general Hugo de Abreu, que participou das operações contra os moradores do Araguaia, chegou a afirmar que essa foi a luta mais importante já realizada no meio rural.

    Dos 69 militantes do Partido Comunista do Brasil que estavam na área, 59 morreram no conflito, além de moradores da região também assassinados e das baixas das Forças Armadas - as estimativas variam entre quatro e 200 (!) militares mortos. Do lado do governo, segundo O Globo, houve "casos de militares mortos no combate à Guerrilha cujos corpos foram entregues às famílias em caixões lacrados, acompanhados da explicação de que a morte ocorrera por acidente durante uma manobra de treinamento".

    As Forças Armadas desencadearam três campanhas militares contra a Guerrilha. A partir da terceira campanha, os próprios militares passaram a se referir às operações que desenvolviam como "guerra suja". "Os guerrilheiros não se tornariam prisioneiros de guerra. Simplesmente deixariam de existir. Todos, com a exceção de Ângelo Arroyo, que escapou, foram mortos. São muitas as denúncias de tortura", reporta O Globo. Os oficiais do Exército avaliavam que a Guerrilha do Araguaia duraria décadas, caso não fosse combatida da forma criminosa que foi: "Mesmo os oficiais condecorados por bravura na repressão à Guerrilha evitam falar no assunto. Ao contrário dos militares que lutaram na II Guerra Mundial, que exibem com orgulho as medalhas que conquistaram na luta contra o nazifascismo, os heróis das Forças Armadas no Araguaia são discretos. Afinal, como justificar as condecorações numa guerra que, oficialmente, não houve?"

    Alguns guerrilheiros, como o Osvaldão, foram decapitados. A prática de decepar a cabeça de adversários não é nova na história da repressão no Brasil. Zumbi teve a cabeça exibida em Recife, como forma de intimidar escravos que pudessem seguir seu exemplo rebelde. Tiradentes, depois de enforcado, foi esquartejado e a cabeça e os membros foram expostos aos brasileiros. Lampião e seus seguidores mais próximos igualmente tiveram as cabeças separadas dos corpos e exibidas (neste caso, ficaram expostas num museu em Alagoas).

    Em 1964 implantou-se no país uma ditadura militar que se voltou raivosamente contra os brasileiros. As liberdades foram brutalmente suprimidas e a atividade política, rigorosamente controlada, limitava-se a dois partidos, a Arena e o MDB. Instaurou-se um regime de perseguição aos democratas conseqüentes. O povo brasileiro promoveu inúmeras manifestações de protestos contra a tirania que se instalara no país. Uma dessas manifestações foi a grande passeata dos cem mil, que condenava a morte do estudante Edson Luís, no Rio de Janeiro.

    Os militares responderam a esses atos com uma brutalidade nunca vista, torturas infames, assassinatos de presos políticos nos Dops e nos DOI-Codi. As greves foram proibidas e os sindicatos interditados. Com o Ato Institucional n° 5 impôs-se um regime de terror contra o povo.

    É nesse ambiente que surgiu o Araguaia, organizado e dirigido na clandestinidade pelo Partido Comunista do Brasil. Destinava-se a organizar a resistência armada contra a ditadura. Outras formas de luta não tinham espaço para se concretizar nas cidades. O objetivo político da Guerrilha do Araguaia estava expresso em um documento, largamente distribuído entre a população do Sul do Pará, intitulado Proclamação da União pela Liberdade e Pelos Direitos do Povo. Um movimento intimamente ligado à população camponesa, pobre e sofrida da região. Tentativas de resistências armadas já haviam ocorrido no país, organizadas por outras correntes políticas, no Vale da Ribeira e em Caparaó. Mas duraram pouco tempo. O Araguaia resistiu por três anos.

    No Araguaia encontravam-se pessoas de diferentes formações: operários, camponeses, bancários, médicos, engenheiros, geólogos e, principalmente, estudantes universitários. Dentre os que para lá se dirigiram, estava Maurício Grabois, constituinte de 1946. Tomaram conhecimento da região e estabeleceram ampla relação com a população local. Enfrentavam, porém, tremenda desigualdade no que diz respeito ao armamento, em contraste com as armas sofisticadas das Forças Armadas. Essa luta era a luta de cem contra vinte mil, Davi contra Golias.

    As Forças Armadas atuaram no Araguaia como bárbaros. Cometeram crimes imperdoáveis. Degolaram guerrilheiros, expuseram corpos mutilados nas vilas e nas cidades para atemorizar a população. Violentaram as próprias leis de guerra (a convenção de Genebra). Mataram prisioneiros indefesos. Torturaram – muitos dos torturados enlouqueceram. As Forças Armadas destruíram tudo que podia lembrar a Guerrilha. Incendiaram os barracos construídos pelos guerrilheiros. Destruíram até os móveis primitivos que eles haviam improvisado. Aplicaram a política de terra arrasada, de não deixar vivo nenhum dos combatentes. Foi assim que acabaram matando Ângelo Arroyo, um dos comandantes da guerrilha, um ano e meio depois de terminada a luta, na Chacina da Lapa, em 1976.

    A Guerrilha do Araguaia é mais um elo na longa cadeia das gloriosas lutas populares do Brasil. São muitos os exemplos: Cabanagem, Guararapes, Canudos, Contestado, Revolta da Chibata, Quilombo dos Palmares, Revolução dos Alfaiates... Esses movimentos sempre enfrentaram em desvantagem o adversário poderoso e arrogante.

    Nas Forças Armadas havia setores que condenavam as barbaridades cometidas – pois elas são instituição paga com o dinheiro do povo, não podem tê-lo como inimigo principal. É necessário que essas Forças repudiem tais crimes, condição para que possam contar com a simpatia do povo, preparando-se para as grandes batalhas que poderão advir em defesa da soberania e da independência da pátria. Fechar
  5. O socialismo ainda está na ordem do dia?
    Ao contrário do que pregam os capitalistas e até mesmo alguns partidos de esquerda, a luta pelo socialismo, historicamente, continua na ordem do dia, ou seja, continua sendo uma exigência histórica da humanidade. Estamos vivendo uma época de perdas de conquistas sociais alcançadas pelos trabalhadores no segundo pós-guerra, de verdadeiro retrocesso civilizacional. O capitalismo vive elevado grau da crise sistêmica, não se reciclará indefinidamente. A humanidade terá de escolher entre o rumo socialista e alcançar novas conquistas civilizatórias, ou retroceder a formas inferiores de convivência social.

    Porém, o triunfo do socialismo não se dará somente pelo agravamento das contradições do sistema capitalista. O nascimento da nova sociedade dependerá da ação consciente e organizada dos trabalhadores e seus aliados. O movimento transformador, revolucionário, encontra-se ainda num estágio de defensiva geral, diante de um cenário de ofensiva do capital em todos os campos. Apesar disso, não devemos rebaixar ou negar a luta pela perspectiva socialista.

    O socialismo ontem, hoje e amanhã será sempre a expressão da luta pela construção de uma nova sociedade, antagônica ao capitalismo. Nas quatro/cinco décadas de vivência do socialismo, alcançaram-se êxitos históricos e cometeram-se também erros. A experiência acumulada mostra que a transição do capitalismo ao socialismo é um processo complexo e de larga duração. É toda uma era histórica. Os objetivos fundamentais não podem ser conseguidos em curto prazo.

    Tampouco a fase crítica, revolucionária, pode permanecer indefinidamente. Impõe-se a criação de instituições socialistas de massas, democráticas, dando forma legal à organização da sociedade. O socialismo não pode ter um rosto único em toda parte. Tem-se de levar em conta as peculiaridades dos diferentes países, suas tradições, sua história, sua cultura. E igualmente o quadro político da situação mundial. Fechar
  6. Qual a diferença entre comunismo e socialismo?
    Existem várias razões para o uso dos termos "comunista" e "socialista". Em 1847, Marx e Engels escreveram o Manifesto do Partido Comunista. Em 1890, Engels escreveu um prefácio para essa obra dizendo que, "quando apareceu, não podíamos intitulá-lo Manifesto Socialista. Em 1847, esta palavra servia para designar dois gêneros de indivíduos. De um lado, os partidários dos diferentes sistemas utópicos (...). De outro lado, os numerosos curandeiros sociais que queriam, com suas panacéias variadas e com toda espécie de cataplasmas, suprimir as misérias sociais, sem tocar no capital e no lucro. Nos dois casos, eram tipos que viviam fora do movimento operário e cujo objetivo era antes procurar o apoio das classes 'cultas'. Em contraposição, a parte dos operários que, convencida da insuficiência das subversões simplesmente políticas, queria uma transformação fundamental da sociedade, chamava-se então 'comunista'. (...) O socialismo era admitido nos salões da alta sociedade no Continente (europeu) pelo menos; o comunismo era exatamente o contrário."

    Posteriormente, a palavra "socialista" adquiriu caráter tão radical quanto a "comunista", porém no início do século passado, às vésperas da I Guerra Mundial (1914-18), a Internacional Socialista dividiu-se em dois grupamentos: os que apoiavam a participação de seus países na guerra e os que não apoiavam e propunham a transformação da guerra interimperialista em guerra revolucionária, contra o capitalismo. Na Rússia, especialmente, os seguidores desta segunda orientação tomaram o poder, com a Revolução de Outubro de 1917, encabeçada por Vladimir Lenin. O líder da revolução russa liderou, então, uma reorganização do movimento revolucionário mundial e fundou, em 1919, a Internacional Comunista (também conhecida como III Internacional - as duas anteriores foram a Associação Internacional dos Trabalhadores e a Internacional Socialista). Esta organização internacional deu impulso à formação de partidos adeptos do marxismo em todos os países, inclusive à fundação, em 1922, do Partido Comunista do Brasil.

    O socialismo é considerado pelos comunistas, atualmente, a primeira etapa (em que cada pessoa atuará segundo a sua capacidade e receberá segundo o seu trabalho) do comunismo — em que, segundo Marx, cada pessoa atuará "segundo sua capacidade" e receberá "segundo as suas necessidades" (in Crítica ao Programa de Gotha). Fechar
  7. Como foram os congressos do Partido?
    Ao longo de seus 80 anos de existência, o Partido Comunista do Brasil realizou dez congressos. A fundação do Partido ocorreu na clandestinidade, pois o país estava sob Estado de Sítio. Entre um congresso e outro, foram realizadas várias conferências nacionais, algumas de importância histórica, como a 2ª, realizada na Serra da Mantiqueira, e a Conferência Extraordinária de 1962, que retomou o nome "Partido Comunista do Brasil".

    Estes foram os congressos do Partido Comunista do Brasil:

    1º Congresso: Aconteceu nos 25, 26 e 27 de março de 1922 em Niterói/RJ. Reuniu representantes de 72 adeptos de Porto Alegre, Recife, São Paulo, Cruzeiro (SP), Niterói e Rio de Janeiro (grupos de Santos/SP e Juiz de Fora/MG não puderam enviar representantes). Eram eles: o alfaiate nascido na Espanha, Manuel Cendon; o barbeiro Abílio de Nequete (nascido Abdo Nakt, no Líbano); o jornalista Astrojildo Pereira; o contador Cristiano Cordeiro; o gráfico João da Costa Pimenta; o sapateiro José Elias da Silva; o alfaiate Joaquim Barbosa; o vassoureiro Luís Peres; e o eletricista e ferroviário Hermogênio Silva. Estes delegados realizaram o 1º Congresso, o de fundação do Partido Comunista do Brasil, sob o impacto da Revolução Socialista de 1917 na Rússia. O Congresso foi realizado na clandestinidade, e só divulgado em junho de 1922. Nos Estatutos aprovados foi indicado que o Partido Comunista do Brasil "tem por fim promover o entendimento, a ação internacional dos trabalhadores e a organização política do proletariado em partido de classe, para a conquista do poder e conseqüente transformação política e econômica da sociedade capitalista em sociedade comunista".

    2º Congresso: Aconteceu de 15 a 18 de maio de 1925. Os 17 delegados presentes reelegeram a nova direção partidária. Por orientação do Congresso, o Partido divulgou uma mensagem aos "9 milhões de trabalhadores das regiões interioranas do Brasil" declarando seu apoio à luta dos camponeses pela terra. A divulgação dos posicionamentos do Partido, em especial do jornal A Classe Operária, lançado no dia 1º de maio de 1925, foi intensificada – pouco depois, três militantes comunistas foram expulsos do país por divulgarem literatura marxista.

    3º Congresso: Ocorreu de 29 dezembro de 1928 a 4 de janeiro de 1929 e aprovou as atividades do Bloco Operário-Camponês – integrado por distintas organizações proletárias, que participou de campanhas eleitorais e objetivava a unificação das lutas dos trabalhadores. Nas eleições de 1928 dois comunistas foram eleitos vereadores no Rio de Janeiro, através do Bloco Operário-Camponês. Os 31 congressistas manifestaram-se pelo confisco das terras e sua entrega aos camponeses, pela liquidação das "condições semi-escravas" e dos restos feudais no campo. Foi discutida a necessidade de fortalecer a luta contra o fascismo. Os comunistas consideraram que a origem das tendências fascistas no Brasil vinham da "reação interna e da penetração imperialista".
    Mas o fascismo se abateu sobre o mundo e o Brasil. Os comunistas foram duramente perseguidos, o Partido praticamente destruído.

    4º Congresso: Teve início em 7 de novembro de 1954, no Rio de Janeiro, novamente na clandestinidade – os mandatos dos parlamentares comunistas e o registro do Partido haviam sido cassados sob o governo reacionário do general Eurico Gaspar Dutra. Este Congresso aprovou o primeiro Programa do Partido Comunista do Brasil. Nele denunciava que "os imperialistas norte-americanos penetram em todos os poros da vida econômica, política, social e cultural do país, humilhando nosso povo, minando a independência e a soberania da nação, com o objetivo de reduzir o Brasil à situação de colônia dos EUA".

    5º Congresso: Aconteceu em 1960, sob o impacto do revisionismo que advinha da URSS. A linha política adotada privilegiou a atuação junto às elites governistas. A nova direção eleita – da qual foram afastados vários dos dirigentes que reorganizaram o Partido na Conferência da Mantiqueira – mudou, após o congresso, o nome do Partido (para "Partido Comunista Brasileiro"), adotou novos Estatutos que abandonavam a referência ao marxismo-leninismo e ao internacionalismo proletário (solidariedade com a luta dos trabalhadores de todo o mundo), dentre outras alterações de fundo. Um grupo de comunistas, dentre eles João Amazonas, Maurício Grabois e Pedro Pomar, reorganizou, na Conferência Extraordinária de 1962, o Partido Comunista do Brasil, retomando o antigo nome e as tradições do movimento revolucionário do país. A ditadura militar ensangüentou o Brasil a partir abril de 1964, e as perseguições aos comunistas e democratas assumiu proporções nunca vistas. As prisões ilegais, torturas e assassinatos aos opositores tornaram-se a norma do regime militar.

    6º Congresso: Realizado em 1983, logo após a conquista da anistia, numa conjuntura de luta pela democratização do país. Aconteceu na semiclandestinidade. O Congresso analisou as mudanças estruturais e políticas ocorridas na sociedade brasileira nas últimas décadas. Fez o balanço da atividade comunista durante a ditadura militar – incluindo a análise da experiência da Guerrilha do Araguaia e da luta pelas bandeiras da "Anistia ampla, geral e irrestrita", "Fim dos atos e leis de exceção" e "Convocação da Constituinte democrática, livre e soberana". E preparou o Partido para a retomada da legalidade.

    7º Congresso: Ocorreu em maio de 1988 em São Paulo. O Partido, legal desde 1985, estava em expansão e crescimento. No plano mundial começava o fim da União Soviética. Foi examinada a reestruturação partidária na vida legal e desmascarados os objetivos anticomunistas da Perestroika russa e o papel de Mikhail Gorbatchev. No âmbito nacional explicitou que o Brasil estava sob uma encruzilhada histórica: ou trilhava por um caminho de soberania e desenvolvimento nacional, ou se aprofundaria na lama da submissão e da dependência. Seus documentos e resoluções estão no livro A política revolucionária do PCdoB.

    8º Congresso: Reuniu-se de 3 a 8 de fevereiro de 1992 em Brasília, numa conjuntura de crise profunda do socialismo e da teoria marxista-leninista, com partidos comunistas de vários países chegando à auto-dissolução. O PCdoB analisou a experiência soviética e voltou-se mais para a realidade e as especificidades brasileiras. Foi adotada resolução política apontando o socialismo como o objetivo da luta dos comunistas no Brasil. O país vivia o começo da aplicação do neoliberalismo, iniciada pelo governo de Fernando Collor e depois retomada e desenvolvida pelo governo de Fernando Henrique Cardoso. Ver o livro O socialismo vive: documentos e resoluções do 8º Congresso do PCdoB. Em 1995 o Partido realizou sua 8ª Conferência, quando aprovou o Programa Socialista para o Brasil.

    9º Congresso: Aconteceu de 13 a 15 de outubro de 1997 em São Paulo, no apogeu da globalização neoliberal. Os comunistas concentraram-se na construção de uma ampla frente visando derrotar o neoliberalismo – enfrentar a escalada neoliberal construindo ampla frente oposicionista nacional, democrática e popular – e abrir caminho para o socialismo. Teve início a definição do tipo de partido revolucionário que é preciso construir, de princípios e feição moderna. Do Congresso saiu o livro União do povo contra o neoliberalismo: documentos do 9º Congresso do PCdoB.

    10º Congresso: Foi realizado de 9 a 12 de dezembro de 2001, no Rio de Janeiro. Foi a maior reunião de comunistas brasileiros. Contou com a participação de 32 representantes de partidos e organizações estrangeiras, dezenas de convidados e 821 delegados. Nele foi eleito Renato Rabelo para substituir João Amazonas na Presidência do Partido - Amazonas, às vésperas de completar 90 anos (em 1º de janeiro de 2002), passou a ser presidente de honra. O Congresso apontou para a necessidade de um novo rumo para o Brasil, com um projeto de mudanças capaz de promover a reconstrução nacional, a transformação social e a mais ampla liberdade política. Fechar
  8. Como é feita a filização no PCdoB?
    Para ingressar no PCdoB, a pessoa deve preencher uma ficha e entregá-la, assinada, na sede do Partido do município ou Estado. Serão necessários os seguintes dados: nome, endereço residencial, cidade, Estado, CEP, telefone para contato, data de nascimento, sexo, profissão, escolaridade e Título de Eleitor. Se a pessoa participa ou está associada a alguma entidade (sindicato, entidade estudantil, associação de moradores etc) é solicitada informação sobre a entidade em que atua e o cargo que exerce. Além dos maiores de 18 anos, no PCdoB podem filiar-se, em caráter excepcional, maiores de 16 anos.

    A filiação a partidos é regida pela Lei nº 9.096, de 19 de setembro de 1995. De acordo com a lei, só pode se filiar quem estiver no pleno gozo de seus direitos políticos e será aceita a filiação com o atendimento das regras estatutárias do partido. Será entregue comprovante à pessoa, no modelo adotado pelo partido. Os filiados de um partido político têm iguais direitos e deveres. Para concorrer a cargo eletivo, a pessoa deverá estar filiada ao partido pelo menos um ano antes da data fixada para as eleições. Na segunda semana dos meses de abril e outubro de cada ano, o partido deverá remeter aos Juízes Eleitorais a relação dos nomes de todos os seus filiados.

    O artigo 15 da Lei nº 9.096 determina que o estatuto do partido contenha normas sobre filiação e desligamento de seus membros. No Estatuto do PCdoB, essas questões são normalizadas no TÍTULO I - DO PARTIDO - CAPÍTULO II - DOS FILIADOS - Artigos 6º e 7º:
    Filiado do Partido é todo aquele que, sendo maior de 18 (dezoito) anos, aceita o seu Programa e o seu Estatuto, cumpre suas decisões, milita em uma das suas Organizações de Base e paga regularmente as contribuições estabelecidas.
    Parágrafo 1º - Em caráter excepcional, poderão filiar-se ao Partido, maiores de 16 (dezesseis) e menores de 18 (dezoito) anos.
    Artigo 7º - A filiação ao Partido é individual e voluntária e se faz através da ficha nacional de filiação. A proposta de admissão, aprovada, será comunicada ao organismo imediatamente superior. Fechar
  9. Como fazer para se desfiliar?
    Sobre o desligamento do partido, a Lei nº 9.096 determina que o filiado faça comunicação escrita ao órgão de direção municipal e ao Juiz Eleitoral da Zona em que for inscrito. Decorridos dois dias da data da entrega da comunicação, o vínculo torna-se extinto, para todos os efeitos. A lei ainda determina o cancelamento imediato da filiação nos casos de morte, perda dos direitos políticos, expulsão e outras formas previstas no estatuto, com comunicação obrigatória ao atingido no prazo de quarenta e oito horas da decisão.

    Quem se filia a outro partido deve fazer comunicação ao partido e ao Juiz de sua respectiva Zona Eleitoral para cancelar sua filiação; se não o fizer no dia imediato ao da nova filiação, fica configurada dupla filiação, sendo ambas consideradas nulas para todos os efeitos. Fechar
  10. Quais os direitos e deveres do filiado?
    A resposta a essa questão está no Estatuto do PCdoB - CAPÍTULO III » DOS DEVERES E DIREITOS DOS MEMBROS:

    Artigo 9º - São deveres dos membros do Partido:
    a) salvaguardar, por todos os meios, a unidade do Partido como condição principal de sua força;
    b) trabalhar constantemente para elevar o próprio nível político e ideológico e para assimilar e desenvolver as bases do marxismo-leninismo;
    c) aplicar as decisões do Partido;
    d) manter estreitas ligações com o povo e dedicar-se à defesa de suas reivindicações;
    e) pertencer ao sindicato de sua profissão ou entidade relacionada com seu trabalho, atividade ou moradia, respeitando as decisões democráticas que ali se tomem e concorrendo, por todas as formas possíveis, para o fortalecimento e desenvolvimento da entidade;
    f) observar a disciplina do Partido, igualmente obrigatória para todos os seus membros, independentemente de seus méritos ou dos cargos que ocupem;
    g) ser sincero e honesto com o Partido, não permitir que se oculte ou desvirtue a verdade;
    h) desenvolver a crítica e autocrítica, apontar os defeitos no trabalho do Partido, lutar contra os erros e debilidades e tudo fazer para eliminá-los;
    i) manter solidariedade às vítimas de perseguições políticas, por motivos ligados à luta democrática, popular ou socialista;
    j) hipotecar plena solidariedade à luta dos trabalhadores e povos por sua independência nacional e por sua emancipação social;
    l) pagar as mensalidades estabelecidas;
    m) filiar novos integrantes para as fileiras do Partido; e
    n) desenvolver a propaganda das idéias, documentos, materiais e propostas do Partido.

    Artigo 10 - São direitos dos membros do Partido:
    a) eleger e ser eleito para os organismos dirigentes do Partido em todos os escalões;
    b) participar das discussões e decisões, de forma livre e responsável, acerca dos problemas teóricos, políticos e práticos da vida partidária, acatando as decisões da maioria;
    c) manter suas opiniões, se divergentes, e defendê-las quando a discussão sobre o assunto for reaberta, sem deixar de cumprir as decisões de que divirja;
    d) exigir sua participação pessoal sempre que se trate de resolver sua posição ou conduta;
    e) apelar de decisão disciplinar a seu respeito; e
    f) encaminhar, através de seu organismo, sugestões e propostas a quaisquer das sucessivas instâncias partidárias. Fechar
  11. O que é o "centralismo democrático"?
    O PCdoB organiza-se com base no princípio leninista do centralismo democrático. Numa das resoluções aprovadas no seu 6º Congresso, em 1982, o Partido afirma: "O centralismo democrático, espinha dorsal da estrutura partidária, é um princípio organizativo e um dos principais elementos na formação ideológica do militante comunista. É uma das principais armas do proletariado na luta pela conquista do poder político e posteriormente para a consolidação da ditadura do proletariado. Não é por acaso que todos os que se opõem a esses objetivos da classe operária atacam raivosamente o centralismo democrático e tudo fazem para destruí-lo."

    Para funcionar bem e dirigir as massas de acordo com um plano, o Partido deve estar organizado sobre a base do centralismo, com estatutos únicos, com uma disciplina partidária igual para todos, com um só órgão de direção à frente, a saber: o Congresso do Partido e, nos intervalos entre congresso e congresso, o Comitê Central, com a submissão da minoria à maioria, das diferentes organizações inferiores às superiores. Sem ajustar-se a estas condições, o Partido da classe operária não pode ser um verdadeiro partido nem cumprir com seus deveres de direção do proletariado.
    Esses princípios estão no Estatuto do PCdoB, que afirma:

    TÍTULO II - DOS ORGANISMOS DO PARTIDO, SUA COMPETÊNCIA E FUNCIONAMENTO
    CAPÍTULO I - DO CENTRALISMO DEMOCRÁTICO
    Artigo 17 - O princípio diretor em que se baseia a organização do Partido é o centralismo democrático, que significa;
    a) eleição de todos os organismos dirigentes do Partido, de baixo para cima;
    b) prestação de contas periódicas dos organismos dirigentes do Partido ante as respectivas organizações que os elegeram;
    c) disciplina rigorosa no Partido e submissão da minoria à maioria;
    d) caráter obrigatório das decisões dos organismos superiores para os inferiores; e
    e) debate amplo e aberto nos organismos sobre as questões referentes à orientação partidária.

    A disciplina consciente e o espírito de Partido são indispensáveis ao fortalecimento do centralismo democrático e à coesão das fileiras partidárias. Do processo de discussão das teses à plenária final do Congresso, os comunistas brasileiros revitalizam e fortalecem a democracia partidária e tornam o PCdoB mais apto para enfrentar os grandes desafios da luta e construção de um novo mundo, sem exploradores e explorados. Fechar
  12. O que o PCdoB pensa sobre a questão da ética?
    A ética é um conjunto de ideais e de obrigações cuja base se encontra em determinadas aspirações de bem-estar, justiça e direito. A vida social é impossível sem certos princípios, regras e ideais que prescrevem a maneira como os indivíduos têm que relacionar um com o outro ou diante de uma situação determinada.

    Marx e Engels afirmavam que em uma sociedade de classes os juízos morais e seus fundamentos diferem segundo as classes, e que "as idéias dominantes em uma época são as idéias das classes dominantes" (A ideologia alemã), o que faz com que os interesses e necessidades das diferentes classes sociais permaneçam escondidos por trás de uma ideologia aparentemente comum. Encontramos no mundo antigo um imperador e um escravo defendendo a mesma filosofia; e, no mundo atual, burgueses e proletários advogando, às vezes, o mesmo ideal.

    Ao tratar-se de uma sociedade dividida em classes, os conflitos morais refletem as divisões classistas e tratam de justificar as relações econômicas existentes, ou de mudar estas relações. Com base nesse posicionamento os conceitos de bem, de justiça e outros parecidos tomam seu significado, e as mudanças propostas nestas condições devem realizar-se de acordo com as necessidades e interesses do setor mais amplo ou do menor da comunidade social.

    No capitalismo, o ideal dominante é o êxito, a prosperidade, o auge econômico; sua precondição é olhar o trabalho manual como algo inferior; seus objetivos são a independência econômica, devido à prosperidade de um negócio, os lucros de um investimento ou "trabalhar por conta própria". O ideal que esse sistema apresenta aos membros da sociedade capitalista é de tal natureza que só é possível ser alcançado por alguns, à custa da maioria.

    O socialismo científico não se confunde com uma utopia moralizante. A ética comunista aponta que, dentro das contradições e antagonismos do mundo capitalista, as necessidades e ideais da classe operária coincidem completamente com as da humanidade. O socialismo constitui o objetivo de avançar o progresso da humanidade, proporcionando a cada homem o máximo do que necessita. Por isso os comunistas examinam cada greve, cada rebelião dos trabalhadores da cidade ou do campo, ou uma revolução para ver se contribuem ou não ao progresso e triunfo da causa proletária e dos povos oprimidos. Os principais preceitos da nova moral da classe trabalhadora são as palavras de ordem que Marx e Engels deram ao movimento socialista: "A emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores" e "Proletários de todo o mundo, uni-vos".

    Lenin afirmou num comunicado ao terceiro congresso da Liga da Juventude Comunista, em 1920: "Nós repudiamos toda a moralidade que não se derive estritamente do humano e do conceito classista. Nós dizemos que qualquer outra forma de moral é um engano, uma fraude, um narcótico para a mente dos trabalhadores e camponeses em favor dos latifundiários e dos capitalistas. Dizemos que nossa moralidade está inteiramente subordinada aos interesses da luta de classes e ao triunfo do proletariado. Nossa moralidade se deriva dos interesses do proletariado na luta de classes. (...) A moral serve para ajudar a humanidade a levantar-se a um nível mais alto e terminar com a exploração dos trabalhadores". (A jovem geração).

    Em suma, a ética é boa caso possa resultar em bem para todos os homens. A moralidade consiste em um código de princípios que pode guiar os homens a valorizar seus atos segundo favoreçam ou prejudiquem a satisfação de suas necessidades e desejos materiais e espirituais. É boa e moral toda melhoria do nível de vida das massas do povo. E como somente a socialização dos meios de produção pode estabelecer solidamente tais melhorias e colocar os fundamentos de um ilimitado desenvolvimento material e cultural humano, tal socialização é o mais alto bem, quer dizer, o ponto de vista moral para julgar todos os atos. Quando a exploração do homem pelo homem for abolida e quando toda a humanidade unida trabalhar harmoniosamente pelo interesse comum de cada um como base do maior interesse de todos, a ética existente será transformada para ser algo que se encontre mais além de toda possibilidade de simples especulação mental. No comunismo a sociedade irá se reger pelo princípio: "De cada um segundo suas possibilidades; a cada um segundo suas necessidades". Fechar
  13. Como o PCdoB analisa o neoliberalismo?
    O neoliberalismo é um projeto da burguesia e do imperialismo para escapar da crise econômica, social e política e prolongar por certo tempo histórico seu domínio sobre o mundo. Vem sendo aplicado desde os anos 70 e, com maior intensidade, desde o início dos anos 80. É um projeto pretensamente global, implementado na esmagadora maioria dos países do mundo. O neoliberalismo mantém a lógica capitalista de maximizar os lucros dos grandes monopólios do capital financeiro. Para isso realiza a espoliação dos povos, das nações dependentes e das massas trabalhadoras.

    A política neoliberal busca a desregulamentação e liberalização das regras de comércio e alocação de investimentos internacionais, a quebra de barreiras, a abertura das bolsas e de todos os setores da economia às multinacionais. Isto esbarra em contradições, como indicam as regras protecionistas, especialmente no setor agrícola, nos EUA, no Japão e na Europa.

    É parte do projeto neoliberal a reestruturação do Estado, com privatizações em massa, redução de tributos sobre o capital e desmanche do chamado Estado de bem-estar social. A ofensiva do neoliberalismo nesse campo constitui séria ameaça à própria existência do Estado nacional nos países dependentes. O neoliberalismo implica, em patamar mais elevado, a subordinação do Estado aos interesses dos grandes monopólios, particularmente da oligarquia financeira. Nos países desenvolvidos, o capitalismo monopolista de Estado manifesta-se com força através da transferência de parte crescente da renda nacional para pagamento das enormes dívidas públicas, cujos credores são os grandes monopólios do capital financeiro.

    O neoliberalismo dirige uma ofensiva avassaladora contra os direitos dos trabalhadores, objetivando uma nova repartição do produto entre o lucro e o salário, favorecendo ainda mais ao capital. Sua orientação implica a revogação de legislações trabalhistas e previdenciárias, a elevação do desemprego, bem como o desmanche da rede de seguridade social. A busca da maximização dos lucros das multinacionais dá-se através de um plano deliberado de arrocho dos salários, associado à degradação (precarização) das condições de trabalho, à eliminação de direitos e à destruição dos serviços públicos.

    Em benefício das grandes potências e em detrimento do desenvolvimento dos países dependentes, o neoliberalismo promove uma nova divisão internacional do trabalho, deixando como saldo uma parcial destruição do setor produtivo e em alguns casos a desindustrialização. A política neoliberal faz com que a produção de bens e serviços de maior densidade tecnológica se concentre nos pólos avançados do capitalismo, ao passo que às regiões mais atrasadas atribui-se a produção de bens que requerem baixa inversão tecnológica.

    O projeto neoliberal é uma estratégia de abertura e conquista de mercados pelo grande capital dos países centrais, que utiliza a supremacia política destes para forçar o resto do mundo a desmantelar instrumentos fundamentais de soberania e proteção nacional. Trata-se, em particular, de um movimento de recomposição e relançamento da hegemonia do imperialismo norte-americano, via instrumentalização unilateral das posições de força (econômica, política e militar) que este ocupa no sistema internacional.

    O neoliberalismo não chega a configurar uma nova era para a humanidade. Segundo João Amazonas, no terreno econômico os neoliberais "indicam dois fatores que determinariam essa nova etapa: a crescente integração propiciada pela internacionalização da economia e a revolução tecno-científica. É falsa tal opinião". Para o presidente de honra do PCdoB, "não há mudança substancial na estrutura do imperialismo que configure etapa distinta da atual. Sua base continua sendo o monopólio, a oligarquia financeira, a exportação de capitais, a divisão do mundo entre supermonopólios internacionais, a subjugação dos povos e nações. A verdade é que a chamada nova etapa do capitalismo nada mais é do que o velho imperialismo, tão bem fundamentado por Lenin, elevado a um grau de concentração insuspeitado".

    A crise do sistema capitalista, a deterioração econômica, política e social dos ex-países socialistas e as graves conseqüências da aplicação da política neoliberal colocam com força o socialismo como alternativa para os povos. A luta contra o neoliberalismo será inconseqüente se se mantiver circunscrita a reivindicações parciais e localizadas e ignorar a perspectiva socialista.
    A luta contra o neoliberalismo adquire um caráter antiimperialista e conseqüentemente é essencialmente anticapitalista. Esse embate dá maior dimensão à luta nacional e democrática. A investida neoliberal inviabiliza qualquer possibilidade de projeto nacional e sua tendência concentradora de riqueza acentua a desigualdade social. Desse modo favorece a formação de uma ampla frente política e social contra a liberalização em curso, constituindo-se, atualmente, numa batalha de sentido estratégico, porque permite abrir caminho no rumo de uma formação econômica e social condizente com a liberdade, a independência nacional e o progresso social. Nas condições do Brasil atual a proposição de um governo de reconstrução nacional, constituído por amplas forças democráticas e populares, produto de um movimento de oposição ao neoliberalismo, se insere nessa perspectiva antiimperialista.

    As tarefas políticas postas diante do Partido estão relacionadas com esse embate, tendo em vista a perspectiva do socialismo. A atividade política partidária deve assumir cada vez mais a luta contra o governo e as forças que conduzem a reestruturação neoliberal do país. Fechar
  14. O que o PCdoB pensa sobre a globalização?
    Globalização é eufemismo de dominação do mundo pelos oligopólios e pela oligarquia financeira internacional. A concentração e a centralização do capital, que atingem altíssimos níveis, ditam a necessidade de alargamento e completo domínio do mercado mundial. Daí, a pressão cada vez mais forte no sentido da quebra das barreiras nacionais que impedem a expansão monopolista. John Kenneth Galbraith, célebre e insuspeito economista americano, foi preciso na definição do termo globalização. Disse: "esse é um termo que nós, os norte-americanos, inventamos para dissimular nossa política de avanço econômico em outros países e para tornar respeitáveis movimentos especulativos de capital".

    Em certo sentido, a "globalização" é uma lei objetiva do desenvolvimento do capitalismo. Vivemos a época das mega-fusões que se transformam em instrumentos poderosos de concentração de renda e alavancas do poder político. Por isso, há quem afirme ser esse processo irreversível. É uma visão unilateral. Porque não se trata de uma lei absoluta, mas tendencial. O que significa que haverá, inevitavelmente, crise do sistema e resistência, oposição decidiria aos propósitos do capitalismo monopolista. Os trabalhadores e os povos lutarão em defesa dos seus direitos, contra a subordinação cada vez maior de seus países ao capitalismo financeiro internacional. Essa será a grande batalha do nosso tempo, que envolverá o mundo inteiro por um largo período. Fechar
  15. Qual a opinião do PCdoB sobre as privatizações?
    A política brasileira de privatização tem origem externa. É parte da política neoliberal, adotada pelo capitalismo desde a década de 1970. Começou pela Inglaterra, que buscou re-energizar sua economia por intermédio do fortalecimento do capital privado, da concorrência e da capitalização do Estado para controle do déficit público. A privatização abriria novos e amplos espaços para os grupos privados e, promovendo receitas extras com a venda de estatais e a concessão de serviços, permitiria ao Estado saldar suas dívidas ou investir em áreas que julgasse prioritárias.

    As privatizações nos países mais desenvolvidos não modificaram essencialmente o quadro econômico vigente. Em países como o Brasil, as privatizações afetaram a economia, particularmente a soberania nacional. As empresas já privatizadas constituíam parte fundamental do patrimônio público construído com recursos próprios. Que resultou em proveito do país o dinheiro conseguido com as privatizações? Literalmente, nada. Vendendo essas empresas, ficamos mais pobres e mais dependentes.

    O governo promove em diversas estatais diferentes tipos de reajustes prévios às suas alienações e, em alguns desses ajustes, gasta mais dinheiro do que recebe ao final da venda da estatal. Títulos públicos desvalorizados, comprados no mercado com 20%, 30% e até 40% abaixo do valor de face, são utilizados na compra de estatais com seu valor integral. Grupos econômicos estão sendo fortalecidos, conglomerados estão sendo formados, monopólios são favorecidos. Riqueza propriamente não tem surgido, pois a privatização é transferência de riqueza, não criação da mesma. Investimento estrangeiro aplicado em privatização ocupa fábrica, não a implanta.

    A infra-estrutura do país, com a escassez do investimento público e as privatizações, está sendo deteriorada e ficando aquém da demanda exigida por um crescimento, mesmo que contido, como a insólita situação atual, por suas dimensões, marcada pela insuficiência da geração de energia elétrica, em decorrência da queda dos investimentos nestes últimos anos. A crise energética, gestada principalmente nos governos de Fernando Henrique, demonstra o grau de liquidação que alcançou o Estado nacional brasileiro. Os "investimentos" oriundos das privatizações não aumentaram sequer um megawatt a capacidade instalada no setor de energia. O governo, ao acatar as imposições do FMI, que não permitiu inversão estatal em produção e transmissão de energia elétrica, levou o sistema hidroelétrico brasileiro, moderno e seguro, ao descalabro. Diante disso, a expectativa é de queda do crescimento econômico já contido e de mais desemprego.

    O PCdoB denuncia a política de privatizações adotada pelo governo e desmascara o seu caráter antinacional, além da forma nebulosa, cheia de suspeitas, com que é realizada. No documento "Um novo rumo para o país (Pontos para um programa mínimo da oposição)", o Partido propõe que o programa do candidato da oposição às eleições presidenciais de 2002 contemple dentre os seus itens: "Suspender as privatizações de empresas e setores estratégicos para o desenvolvimento e a soberania nacionais, como a geração de energia e o saneamento. Revisão das privatizações já realizadas nos setores estratégicos". Fechar
  16. O que o PCdoB pensa sobre a reforma agrária?
    O Programa Socialista para o Brasil, aprovado pelo PCdoB em 1995, considera o seguinte:

    "Far-se-á reforma agrária antilatifundiária que consistirá basicamente em:
    - Fixação de teto máximo para as propriedades rurais, segundo as diferentes regiões do país. Isso permitirá a exploração da propriedade do solo por capitalistas de médio e grande porte;
    - O excedente do teto máximo e as terras devolutas, considerados de interesse social, constituirão o Fundo Agrário Nacional, utilizado pelo Estado para suprir as necessidades do amplo desenvolvimento das áreas rurais;
    - Apoiado no Fundo Agrário, o Estado garantirá o acesso à terra a todos os que nela queiram viver e trabalhar. Dará proteção e ajuda aos pequenos e médios produtores agrícolas".
    O PCdoB defende a reforma agrária antilatifundiária na fase de transição do capitalismo para o socialismo. Considera, contudo, que a nacionalização da terra - meio de produção fundamental - é indispensável à construção da nova sociedade.

    O PCdoB, já na década de 1920, defendia a reforma agrária e a aliança entre os trabalhadores da cidade e do campo para enfrentar o capitalismo.

    No governo FHC milhões de hectares de terras públicas foram apropriados por grandes empresários, e apenas um deles, o dono da construtora CR Almeida, do Paraná, abocanhou sozinho uma área de 4 milhões de hectares no Pará, maior do que o território da Dinamarca. Há no Brasil 3.065 proprietários rurais que somam 93 milhões de hectares, ou seja, 11% do território nacional.

    Somente entre 1995/99, houve um êxodo rural de 4 milhões de brasileiros. E segundo estudos internos do próprio governo, há uma expectativa de que, se não mudar o modelo, nos próximos anos, de 8 a 13 milhões de pessoas tenham que deixar o campo, especialmente no Nordeste. Fechar
  17. Como o Partido avalia a experiência socialista na China?
    A China desenvolve seu próprio caminho socialista – eles consideram estar na fase primária da construção socialista. Assim, nesta fase, o Partido Comunista da China prioriza o desenvolvimento das forças produtivas e, para tanto, permite que a economia – predominantemente socialista e controlada pelo Estado popular – interaja e utilize elementos do mercado capitalista interno e externo, o que tem causado motivo de muitas especulações na mídia ocidental.

    A China se situa no campo dos países que têm resistido à dominação e ofensiva do imperialismo. Fechar
  18. Como o Partido avalia a atual situação de Cuba?
    Quando a União Soviética acabou, a economia cubana teve uma queda drástica, de 85%. O país, mesmo com as dificuldades impostas pelos Estados Unidos (que esperavam que o governo de Fidel viesse abaixo por causa da crise), adotou medidas para se recuperar. Em especial de 1994 para cá, a economia vem tendo uma recuperação progressivamente ascendente – só neste ano, um crescimento de 5% do Produto Interno Bruto. Agora, os cubanos prevêem para os próximos dois anos alcançar a produção total da época do fim da URSS. É importante ressaltar que tal recuperação se dá num quadro mundial de economia praticamente estagnada e até de recessão em algumas regiões do planeta. Cuba conseguiu romper o cerco imposto pelos EUA e atualmente mantém relações comerciais com 171 países, inclusive com a China (que o governo classifica como "excelentes relações"), com o Japão (que re-escalonou a dívida da Ilha) e com a Rússia.

    Cuba está saindo do que eles chamam de "período especial", uma política econômica de guerra, desenvolvida em tempos de paz. O governo e o povo cubanos foram obrigados a adotar essa política devido ao cerco econômico e militar feito pelos Estados Unidos contra a ilha. Anteriormente, Cuba vivia uma dependência econômica profunda da União Soviética. Quando a URSS acabou, o país viveu grandes dificuldades, ma agora esse quadro está se revertendo. A Ilha vive atualmente o imenso desafio de realizar um Movimento de Luta de Idéias, que objetiva plasmar o ser humano culto. Não apenas homens e mulheres instruídos, mas que tenham conhecimentos de literatura, de arte, de política, de economia, que tenham acesso aos conhecimentos científicos. Para os cubanos, essa formação multidimensional é parte fundamental da construção do socialismo.

    Em novembro de 2001, uma delegação do PCdoB fez uma visita oficial à Cuba. Nessa oportunidade, reforçou seu compromisso com a defesa da revolução cubana e com o apoio e solidariedade ao seu povo. Fechar
  19. Quais são os partidos comunistas com os quais o PCdoB mantém relações internacionais mais constantes?
    Na atualidade, o Partido mantém relações fraternais com mais de uma centena de partidos no mundo inteiro, dentre eles os comunistas e os que estão à frente das experiências de construção da nova sociedade e resistindo à ferocidade do imperialismo. Fechar
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