PCdoB-MG sela unidade com PPL e faz homenagem à militante assassinada

O PCdoB de Minas Gerais realizou neste sábado (23) a sua Conferência, onde selou no estado a incorporação do Partido Pátria Livre (PPL). O evento foi realizado na Câmara Municipal de Belo Horizonte e contou com a presença de centenas de militantes, parte deles vindos do PPL.

Na atividade, foi realizada uma homenagem dos delegados presentes à memória de Rosane Santiago Silveira, conhecida como Rô Conceição. A mineira foi brutalmente assassinada em 28 de janeiro, no Sul da Bahia, onde morava há 18 anos. A principal suspeita é que trata-se de um crime com características de execução política.

O presidente do PPL Minas, Francisco Rubió, afirmou que o que unifica PCdoB e PPL é a unidade política e ideológica. “Nossos dois partidos trilharam por caminhos que cada um criou no enfrentamento da ditadura e depois para a abertura política do país. Mas nunca perdendo um ideal comum. A defesa intransigente da soberania, a defesa dos trabalhadores e do pequeno e médio empresário”.

Pelo PCdoB, o seu presidente estadual Wadson Ribeiro, comemorou a unificação dos dois partidos. “Selamos aqui hoje a nossa fusão e a unidade na luta e na construção do socialismo. Lutar contra o projeto de entrega do Brasil aos interesses externos. Lutar por uma pátria democrática que vai libertar os trabalhadores da exploração capitalista”.

Wadson fez uma análise da situação do país e teceu críticas à “irresponsabilidade da ação do governo brasileiro. A Venezuela pode ser invadida pelos Estados Unidos e ao invés do Brasil cumprir sua tradição de buscar a paz, vai servir de bucha de canhão para os interesses americanos. Bolsonaro é um simples menino de recado dos Estados Unidos”.

No final do evento, a emoção tomou conta com a homenagem a Rô da Conceição. O assassinato da militante se deu num crime que tem todas as características de ter sido uma execução política, já que ela era uma lutadora pela preservação ambiental e contrariava interesses dos latifundiários da região. Rô foi brutalmente torturada, amarrada nos pés e mãos, esfaqueada e executada com um tiro na cabeça. Segundo a Polícia Militar, foi um “crime premeditado, bárbaro, com requintes de crueldade”.

Militante ambiental, Rô lutava para criar uma reserva extrativista na região de Nova Viçosa (BA). Sua luta contrariava interesses de fazendeiros que exploram a região e ela já havia sido ameaçada. O militante comunista Fernando Vaz relatou a trajetória de Rô desde os tempos da ocupação da moradia estudantil da UFMG, no início da década de 80.

Depois, o filho de Rô, Tuian Santiago Cerqueira, falou em nome dos três filhos que estavam presentes na Conferência. Ele é médico e militante do PCdoB na cidade de Ouro Preto. Emocionada, colocou no microfone uma das últimas mensagens que Rô mandou para uma amiga, onde falava do sonho de se criar a reserva extrativista e da disposição de lutar, mesmo com as ameaças que estava sofrendo. “Ela infelizmente não está mais viva, mas a gente está e vai continuar sua luta”, concluiu o filho.

De Belo Horizonte, Kerison Lopes