Brasil, terça-feira, 28 de março de 2017
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Penélope Toledo: As/os comunistas e as mídias sociais

As/os comunistas mais conservadoras/es rechaçam o uso das mídias sociais, mas o fato é que é que independentemente da sua reprovação, elas têm sido amplamente utilizadas pela militância para debater questões internas e para dialogar com a sociedade. Trata-se, portanto, não de proibir o seu uso ou manter-se alheia/o, mas de conhecer suas potencialidades e riscos e usá-las de forma consciente, planejada e comunista.
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As mídias sociais são as páginas de construção colaborativa, em que qualquer pessoa pode publicar e compartilhar conteúdos, como os fóruns, blogs, wikis, páginas de compartilhamento de vídeos e de fotos, além das redes sociais, que são os sites de relacionamento (Facebook, Twitter; Linkedin, Instagram etc). Estas são as mais utilizadas pela militância comunista e merecem atenção e cuidado.

Horizontalidade na produção de conteúdos

Uma das principais características das mídias sociais e suas redes é a horizontalidade, que permite que todas/os possam expor ideias e debatê-las, dando voz às/aos comunistas, ampliando os debates internos e externos, criando mais um canal de diálogo com a sociedade e burlando o monopólio dos mediadores culturais tradicionais na formação da opinião pública e da circulação de informação.

Mas é preciso cuidado com o que se fala, pois nestas mídias, o impacto é imediato. Mesmo que a publicação seja deletada posteriormente, já terá sido visualizada, copiada, espalhada pela rede.
Além disto, é fundamental diferenciar as ideias privadas (pessoais) das ideias coletivas (partido, organização) e ter clareza que as mídias sociais podem ser canais de discussão, mas nunca serem vistas ou tratadas como fóruns deliberativos.

Grande alcance

Outra boa característica que pode ser apropriada pelas/os comunistas é o grande alcance das mídias sociais e suas redes, que viabilizam falar com muita gente a baixo custo. Devido à sua viralidade, os conteúdos são compartilhados e multiplicados, atingindo, inclusive, pessoas desconhecidas de quem publicou.

Assim, fala-se com mais gente do que nas atividades presenciais, podendo alcançar quem jamais pararia nas ruas para ouvir as nossas ideias.

Porém, a viralidade tem seus perigos. Pode-se espalhar conteúdos equivocados e conceitos distorcidos, e isto ter grande alcance. Além disso, comumente as pessoas perdem a dimensão de quantas/os terão acesso à sua publicação, se expondo desnecessariamente e perdendo sua privacidade. É preciso cuidado na seleção e no tratamento dado às informações que se vai publicar.

Interatividade


As redes sociais conectam pessoas, de forma a aproximar quem pensa e busca as mesmas coisas e construir laços. Assim, facilita o surgimento e/ou a organização de grupos e movimentos que pode se transportar ao meio offline.

Também, graças à relativização das noções de tempo e espaço, possibilitam que pessoas em diferentes locais físicos e horários/dias interajam entre si, ampliando as trocas de informações e conhecimentos e, mesmo, propiciando a realização de reuniões virtuais e a agilidade na organização de atividades.

Não raro, entretanto, o debate cede espaço às brigas e atitudes excessivas, como ofensas, provocações e intolerância às divergências, esvaziando todo o conteúdo político. A ausência dos elementos da comunicação presencial, como entonação e expressão facial pode gerar erros de interpretação, assim como muitas/os se escondem por detrás da virtualidade para desrespeitar as ideias e/ou as pessoas.

Multimidalidade


À convergência em uma mesma plataforma de conteúdos de natureza distinta, como vídeos, áudios, imagens, animações, textos etc, dá-se o nome de multimiadialidade. Ela proporciona a distribuição do conteúdo em diferentes formatos, de modo que as/os comunistas falam com o público de diferentes tipos de mídia.

Há que se tomar cuidado com o excesso de conteúdos, pois a possibilidade de veiculação das ideias em diferentes plataformas gera um número superior de informações. A comunicação deve ser feita levando-se em consideração o desinteresse coletivo pela política e que, portanto, bombardear as pessoas com publicações comunistas pode gerar rejeição e bloqueio. Se as/os comunistas forem vistas/os como chatas/os, não há diálogo.

As/os comunistas e as mídias sociais

As mídias sociais e suas redes não boas e nem más, são seres inanimados e podem ser usadas tanto para disseminar as ideias comunistas e proporcionar debates, quanto para ser palco de brigas e preconceitos. As pessoas é que definem o seu uso.

Também não existe dicotomia entre os debates virtuais e os presenciais, pois não são excludentes, ao contrário, são complementares. O uso destas interfaces não se propõe a substituir a militância offline e sim, oferecer novos canais de diálogo e circulação de ideias.

É imprescindível que as/os comunistas se apropriem do desenvolvimento científico e tecnológico, se aprimorem, reinventem suas práticas comunicacionais. Conhecimento é poder.

Nunca é demais reforçar que tão importante quanto conhecer e desenvolver formas de comunicação é o conteúdo que se comunica. As mídis sociais e suas redes, nas mãos de comunistas sem formação político-ideológica, é matéria morta.


Penélope Toledo é comunista, jornalista com passagem pelo jornal Lance!




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