Proteção e Defesa Civil na pauta comunista

O PCdoB demonstra preocupação em transformar as cidades em espaços com melhor qualidade de vida para a população, e desenvolvimento de políticas públicas de urbanização passa cada vez mais pela necessidade de transformação em cidades mais sustentáveis e resilientes diante das adversidades principalmente nos bairros e vilas que mais carecem de infraestrutura.

Por Bruno Barth Raymundo*

As populações mais pobres são impelidas pela especulação imobiliária para as áreas de risco de deslizamentos ou de inundações e enxurradas tanto nas áreas urbanas quanto na zona rural. A agricultura familiar, que produz cerca de 80% dos alimentos consumidos pelas pessoas, também sofre perdas. Por conta dos aterros que os latifundiários fazem nas áreas que seriam naturalmente alagáveis todo o volume fluvial acaba inundando as áreas de plantio de alimentos e as regiões urbanas à montante. Os deslizamentos de encostas que atingem moradores em áreas urbanas, quando ocorrem na zona rural prejudicam a produção agrícola e somados aos rompimentos de açudes promovem, além do escorregamento de massa, enxurradas e inundações.

A primeira Defesa Civil (Civil Defense) foi institucionalizada pela Inglaterra na II Guerra Mundial após sofrer ataques em áreas urbanas e industriais que vitimaram milhares de pessoas. No Brasil em 1942 a preocupação começou após a população exigir do governo providências em relação ao afundamento de três navios militares no litoral de Sergipe e um vapor na Bahia.

Se a preocupação dos comunistas é com os mais pobres devemos compreender a importância e a necessidade de minimizar os riscos de desastres naturais. Para isso é fundamental irmos além combater o avanço do latifúndio improdutivo e que explora e oprime trabalhadores e trabalhadoras. Devemos nos capacitar para atuar, seja em núcleos comunitários ou ocupando cargos em governos, nas 4 fases da atuação da Defesa Civil: prevenção e mitigação; preparação; resposta; e reconstrução das áreas atingidas.

Essas questões estão transversalmente relacionadas à sustentabilidade (aproveitamento da água das chuvas, energias renováveis construções com material reciclado); à manutenção das áreas de preservação ambiental; aos investimentos em infraestrutura para reduzir os riscos e os efeitos das adversidades; ao planejamento urbano (acessibilidade e mobilidade).

É possível, camaradas, construirmos municípios mais seguros e resilientes para enfrentar as adversidades compreendendo a natureza e convivendo harmonicamente com ela.

*Capacitado em Sistemas de Comando Operacional/Institucional; Gerenciamento de Riscos de Desastres Naturais; Monitoramento alerta e Alarme; Planos de Contingência em Defesa Civil.